

A Câmara Municipal de Votuporanga iniciou o debate sobre a inclusão da tirzepatida, comercializada sob o nome Mounjaro, na rede pública de saúde. O anteprojeto de lei, apresentado pelo vereador Emerson Pereira na última sessão ordinária, sugere que a prefeitura disponibilize o fármaco para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade crônica associada a riscos cardíacos ou metabólicos. A proposta foca especialmente na parcela da população em situação de vulnerabilidade econômica que, devido ao alto custo do tratamento, não consegue ter acesso a essa tecnologia médica inovadora.

O medicamento funciona simulando hormônios naturais do corpo que regulam o açúcar no sangue e a sensação de saciedade, sendo considerado um avanço significativo no controle de doenças metabólicas. Segundo a justificativa do projeto, a concessão do remédio não seria indiscriminada, mas baseada em critérios técnicos rigorosos. Os pacientes precisariam apresentar prescrição médica fundamentada, laudo comprobatório da necessidade do tratamento e passar por uma avaliação da Secretaria Municipal de Saúde, garantindo que o recurso chegue a quem realmente possui indicação clínica e financeira.
Questionada sobre a viabilidade da proposta, a Prefeitura de Votuporanga informou que a Secretaria da Saúde já analisa a questão. Em nota, a administração municipal ressaltou que a política de assistência farmacêutica da cidade segue estritamente as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e os protocolos científicos estabelecidos pelas esferas federal e estadual. O Executivo destacou que qualquer nova incorporação de medicamentos depende de análises orçamentárias e evidências clínicas oficiais para assegurar a responsabilidade na gestão do dinheiro público.
Enquanto Votuporanga avalia a medida, a cidade vizinha de Urupês tornou-se pioneira no estado ao lançar o programa “Bolsa Mounjaro”. Sob a gestão de um prefeito que também é médico, o município adquiriu as primeiras ampolas com um investimento inicial de R$ 125 mil para atender cerca de 200 pessoas. Em Urupês, os requisitos incluem ter mais de 40 anos, ser de baixa renda e comprovar que outros tratamentos contra a obesidade não surtiram efeito nos últimos seis meses, servindo como um modelo de referência para os parlamentares votuporanguenses.









