

A Tarifa Social Paulista, iniciativa do Governo de São Paulo que concede descontos na conta de água e esgoto para a população de baixa renda, alcançou a marca histórica de 6 milhões de pessoas beneficiadas. O número de usuários atendidos pelo programa dobrou desde a desestatização da Sabesp, realizada em julho de 2024, saltando do antigo patamar de 2,98 milhões de beneficiários. Essa expansão expressiva foi impulsionada por uma busca ativa da companhia para identificar e incluir famílias que tinham direito ao preço reduzido, mas que ainda pagavam o valor integral da fatura. O objetivo central da medida é garantir que os moradores em situação de vulnerabilidade social consigam manter o pagamento dos serviços essenciais e tenham acesso garantido ao saneamento básico.

O desconto na conta é dividido em três categorias socioeconômicas, sendo que a adesão é totalmente automática para a maior parte dos usuários, sem a necessidade de enviar documentos para a Sabesp. A primeira faixa, chamada de Vulnerável, oferece 78% de desconto para famílias com renda por pessoa de até um quarto do salário mínimo. A faixa Social I garante um abatimento de 72% para quem tem renda de até meio salário mínimo, desempregados e cidadãos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Nessas duas primeiras categorias, basta estar com o CadÚnico atualizado para que o benefício seja aplicado. Já a terceira faixa, a Social II, confere 50% de desconto para moradores de núcleos urbanos informais que estão em processo de regularização, sem a exigência do CadÚnico. Pessoas desempregadas e moradores de habitações coletivas também podem solicitar a redução por meio do canal digital Sabesp Fácil, apresentando os comprovantes necessários.
Para além dos descontos na fatura, o setor de saneamento no estado vive um período de aportes financeiros sem precedentes para acelerar a meta de universalização dos serviços até o ano de 2029. Em 2025, o investimento da Sabesp atingiu o recorde de R$ 15,2 bilhões, uma cifra 120% maior do que a registrada no ano anterior à privatização, que foi de R$ 6,9 bilhões. O planejamento de longo prazo prevê a aplicação de R$ 260 bilhões até o ano de 2060, sendo que R$ 70 bilhões desse total serão injetados até 2029 para garantir água tratada, coleta e tratamento de esgoto para toda a população dos 371 municípios atendidos pela empresa.
Com o intuito de fiscalizar e dar transparência a esse grande volume de investimentos, o governo estadual lançou o programa “Na Rota da Água”. A iniciativa consiste em um calendário de vistorias técnicas e entregas em mais de 1.100 frentes de trabalho espalhadas por São Paulo. Entre os projetos recentemente inaugurados, destacam-se as melhorias e novas estações de tratamento de esgoto na Grande São Paulo, abrangendo cidades como Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato, Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu, que juntas somam R$ 168 milhões investidos para beneficiar cerca de 127 mil moradores. Outro projeto de grande impacto é a ampliação e modernização da Estação de Tratamento de Esgoto de Barueri, vinculada ao Programa Integra Tietê, que recebeu R$ 5,7 bilhões para aumentar sua capacidade em 40,6% e garantir atendimento eficiente para 4 milhões de pessoas até o fim de 2029.







