

Uma funcionária de apoio da rede municipal de ensino de São José do Rio Preto procurou a polícia neste sábado (14) para relatar uma rotina de violência e insegurança no ambiente de trabalho. A mulher, de 45 anos, trabalha no acompanhamento individualizado de um aluno do 3º ano do ensino fundamental que possui diagnóstico de Transtorno Opositor Desafiador (TOD). Em seu depoimento, ela descreveu viver sob constante pressão física e psicológica, chegando a classificar a situação como uma forma de “tortura” diária.

A profissional relatou que, desde o início das aulas, vem sendo alvo de tapas, chutes, socos e arremessos de objetos por parte da criança, que tem entre 8 e 9 anos. Segundo o registro policial, os episódios de agressividade já causaram ferimentos graves, como a fratura de um dedo, além de luxações pelo corpo e danos materiais. A cuidadora afirma que, apesar de o pai do menino ter conhecimento dos fatos e tentar repreendê-lo, as medidas não têm surtido efeito, e ela se sente desamparada pela estrutura institucional da escola.
O caso foi registrado pelo delegado Allan Athayde Soares como lesão corporal por omissão imprópria. Embora a criança não possa ser responsabilizada criminalmente devido à idade e à sua condição de saúde, a investigação foca na possível omissão daqueles que deveriam garantir a segurança no ambiente escolar e o cuidado adequado ao menor. Segundo a autoridade policial, diretores da escola e os responsáveis legais têm o dever jurídico de vigilância, e a falha em evitar tais agressões pode gerar consequências legais para os adultos envolvidos.
Em resposta ao ocorrido, a Secretaria Municipal de Educação emitiu uma nota informando que já começou a apurar os fatos e manifestou solidariedade à servidora. A pasta reforçou que casos envolvendo alunos com necessidades específicas demandam acompanhamento contínuo e cuidados especiais. O Transtorno Opositor Desafiador, citado no diagnóstico da criança, é caracterizado por um padrão persistente de comportamentos agressivos e desafiadores, exigindo tratamento especializado e suporte adequado tanto para o estudante quanto para os profissionais que o cercam.









