terça, 9 de junho de 2026

Professora desiste do cargo após ser mordida e chutada por alunos em escola pública de Olímpia

Uma profissional com mais de três décadas de dedicação ao ensino público engrossou as estatísticas da violência escolar no interior de São Paulo. Aos 67 anos, a professora Heloisa Barbara Cevada Esperandio tomou a decisão de abrir mão de seu cargo na rede municipal de Olímpia após ser agredida fisicamente por estudantes. O caso joga luz sobre um problema crônico enfrentado por educadores: uma pesquisa recente revelou que mais de 65% dos docentes atuantes no estado já foram vítimas de algum tipo de agressão no ambiente de trabalho.

Depois de ter se aposentado e passado a se dedicar ao artesanato e a aulas voluntárias de reforço, Heloisa foi incentivada por colegas a retornar oficialmente às salas de aula. Ela passou em um processo seletivo e assumiu uma turma de segundo ano do Ensino Fundamental. No entanto, logo nos primeiros dias letivos, a rotina foi marcada pela indisciplina e pelo comportamento hostil de alguns menores. A situação saiu do controle quando a professora tentou separar uma briga física entre dois alunos que se agarravam pelo pescoço. Ao intervir, ela acabou sendo o alvo da fúria dos estudantes, sofrendo mordidas e chutes que deixaram hematomas pelo corpo.

O impacto do episódio foi além das marcas físicas. Profundamente abalada, Heloisa pediu exoneração e, mesmo após mais de um ano do ocorrido, ainda precisa de suporte psicológico e psiquiátrico para lidar com os traumas emocionais da agressão. Procurada, a Secretaria Municipal de Educação de Olímpia informou que adotou todas as providências administrativas e pedagógicas na época, prestando acolhimento e acionando uma equipe multidisciplinar para acompanhar os envolvidos, além de reforçar projetos de combate ao bullying em parceria com as forças de segurança locais.

A realidade vivida pela professora reflete um cenário alarmante mapeado pelo Centro do Professorado Paulista (CPP). Um levantamento feito com 1.440 educadores das redes estadual, municipal e privada revelou que, além do alto índice de agressões, cerca de 62,9% dos profissionais afirmam não se sentir seguros dentro das escolas. O estudo aponta ainda que os próprios estudantes são os principais autores de violência verbal e psicológica, muitas vezes apoiados pela falta de cooperação de seus familiares. Outro dado preocupante é que a maioria dos entrevistados tem entre 45 e 74 anos, o que prova que o tempo de carreira e a experiência não têm sido suficientes para blindar os professores da insegurança generalizada que tomou conta das salas de aula.

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