quarta, 15 de julho de 2026

Produção e venda de veículos têm melhor primeiro semestre desde 2019 e Anfavea eleva projeções

A indústria automotiva brasileira fechou a primeira metade do ano com motivos para comemorar. A produção de veículos no país — que engloba carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões — registrou uma alta de 8,8% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando a marca de 1,37 milhão de unidades fabricadas. Segundo dados divulgados nesta terça-feira, dia 7 de julho, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), esse foi o melhor desempenho para um primeiro semestre desde 2019.

O grande motor desse crescimento foi o setor de automóveis de passeio, cujas vendas dispararam 23,7%, o que representa 208 mil carros a mais nas ruas do que no ano anterior. Por outro lado, o segmento de veículos pesados ainda enfrenta uma recuperação mais arrastada. No acumulado dos primeiros seis meses, as vendas de caminhões recuaram 10,5%, enquanto o mercado de ônibus registrou uma queda de 11,6%. Apesar de o mês de junho ter trazido números melhores para os pesados do que os registrados no ano passado, a reação ainda não é suficiente para afastar a previsão de que o setor fechará o ano em retração.

No balanço geral de emplacamentos, o mercado interno mostrou muita força, com um crescimento de 18,5% no semestre e um total de 1,42 milhão de veículos comercializados. O mês de junho, isoladamente, foi excelente, registrando 272,5 mil unidades vendidas, um salto de 28% na comparação com junho do ano passado. Esse ritmo forte e acima do esperado fez com que a Anfavea revisasse para cima suas projeções para o fechamento de 2026. A expectativa agora é que o Brasil ultrapasse a marca de 3 milhões de veículos emplacados até o fim do ano, um patamar que o país não atinge desde 2014. Se a previsão se confirmar, o crescimento anual será de 12,1% frente a 2025, esmagando a estimativa inicial de apenas 2,7% feita no começo do ano. A projeção para a produção total também subiu, passando de 3,7% para 5,8%, com a expectativa de que 2,8 milhões de veículos saiam das fábricas.

Se o mercado interno vai bem, o comércio com o exterior ainda preocupa os fabricantes. As exportações continuam despencando e fecharam o semestre com uma queda de 21,2%, somando 216,6 mil unidades enviadas para fora do país. O mês de junho foi ainda mais duro, com recuo de 26,7% nas vendas externas em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O caminho inverso, contudo, está aquecido: as importações de veículos estrangeiros cresceram 22,8% no semestre, acumulando 280,6 mil unidades trazidas para o Brasil. Em junho, a chegada de carros importados deu um salto expressivo de 49,3% em relação ao ano passado, totalizando 57 mil veículos que vieram de fora.

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