sábado, 8 de agosto de 2026

Procurador de Votuporanga aponta crise financeira ao defender refinanciamento de R$ 48 milhões, mas oposição questiona gastos

Durante sustentação na Câmara Municipal para defender a aprovação do projeto de lei que refinancia a dívida de R$ 48 milhões do município em 300 parcelas, o procurador-geral de Votuporanga, Douglas Lisboa, declarou que as contas da prefeitura enfrentam um momento delicado e exigem contenção de despesas. Segundo Lisboa, a divisão do débito em um prazo menor, de 60 vezes, pesaria excessivamente sobre o orçamento municipal e colocaria em risco a continuidade de serviços públicos essenciais, lembrando ainda que a área da Saúde consome cerca de 30% de todas as receitas da cidade.

As justificativas sobre a necessidade de corte de gastos geraram questionamentos entre os parlamentares da oposição. O vereador Osmair Ferrari criticou despesas recentes da administração com eventos e contratações artísticas, citando como exemplo apresentações da Turma da Mônica por R$ 80 mil e palestras contratadas por R$ 20 mil, apontando cobranças por parte da população diante desses desembolsos em um período alegado de crise. Já a vereadora Débora Romani chamou a atenção para o impacto dos juros no novo parcelamento, ressaltando que, embora a prestação mensal caia de R$ 450 mil para aproximadamente R$ 300 mil, o montante final devido à União quase dobrará, saltando de R$ 48 milhões para quase R$ 90 milhões.

Apesar do discurso de austeridade apresentado pela procuradoria, os dados fiscais do município mostram crescimento contínuo na arrecadação nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, a cidade encerrou os exercícios financeiros com superávit médio anual de R$ 44 milhões, com as receitas subindo de R$ 309 milhões para R$ 544 milhões no período. Durante os debates, parlamentares de apoio à gestão elogiaram a celeridade do Executivo em buscar a renegociação das contas, mas cobraram a mesma agilidade e compromisso na valorização salarial e nas condições de trabalho dos servidores da ponta, como fiscais de posturas, profissionais de saúde e educadoras.

Notícias relacionadas