

O estado de São Paulo está vivenciando o maior ciclo de investimentos em saneamento básico de toda a sua história. A transformação no setor ganhou força após a privatização da Sabesp, realizada pelo governo paulista em julho de 2024. A mudança fica clara ao analisar a última década: em 2025, o primeiro ano completo após a desestatização, os aportes financeiros saltaram para a marca inédita de R$ 15,2 bilhões, superando com folga o período entre 2014 e 2024, quando os investimentos anuais nunca haviam passado da barreira dos R$ 7 bilhões.

O crescimento de 2024 para 2025 representa um aumento expressivo de 120% nas verbas destinadas ao setor, o que significa R$ 8,3 bilhões a mais em números absolutos. Esse avanço em apenas um ano é maior do que toda a evolução somada ao longo dos dez anos anteriores. O ritmo acelerado continua em 2026; no primeiro trimestre deste ano, a companhia já investiu R$ 3,7 bilhões, um montante 31% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e que mantém a alta média trimestral.
Esse volume histórico de dinheiro já gera impactos diretos no dia a dia da população. Somente em 2025, mais de 4,3 milhões de pessoas passaram a contar com serviços de coleta e tratamento de esgoto. Além disso, a empresa instalou 645 mil novas ligações de água tratada, superando em 148% a meta inicial e beneficiando cerca de 2 milhões de habitantes. Segundo a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, projetos antigos saíram do papel em uma velocidade inédita para resolver um problema social histórico.


Os benefícios do saneamento básico avançado vão além das obras e se refletem na saúde, na educação e na renda dos moradores. Uma pesquisa recente da MIT Technology Review revelou que pessoas que vivem em áreas com água encanada e esgoto ganham, em média, R$ 3.359 por mês, enquanto quem não tem acesso a esses serviços recebe cerca de R$ 2.103. O estudo também apontou que jovens com estrutura de banheiro em casa alcançam notas melhores no Enem e projeta a criação de 4,6 milhões de empregos até 2060. Na saúde, os dados da Organização Mundial da Saúde confirmam que cada dólar aplicado em saneamento gera uma economia expressiva em gastos com hospitais.
Com a privatização, a meta para garantir os serviços a quase 100% da população foi antecipada de 2033 para 2029. Para atingir esse objetivo, o plano prevê a aplicação de R$ 70 bilhões nos próximos anos, parte de um contrato bilionário válido até 2060. Outro destaque do novo modelo é o aspecto social: o programa Tarifa Social Paulista dobrou o seu alcance e passou a conceder descontos na conta de água para 6 milhões de pessoas de baixa renda, priorizando famílias que vivem em bairros informais e que precisam ser integradas à rede oficial de abastecimento.








