

A prévia da inflação oficial do país registrou uma desaceleração pelo segundo mês consecutivo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) fechou o mês de junho em 0,41%, após ter marcado 0,89% em abril e 0,62% em maio. Apesar da perda de ritmo mensal, o indicador acumula uma alta de 4,8% nos últimos 12 meses, superando levemente os 4,64% registrados até o mês anterior. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dos nove grupos de produtos e serviços analisados pelos pesquisadores, a alimentação e os custos com habitação foram os grandes vilões do bolso do consumidor, respondendo juntos por dois terços de todo o índice de junho. No setor de alimentos, embora os produtos consumidos em casa tenham subido menos do que no mês passado, itens básicos registraram saltos expressivos, como a batata-inglesa, que subiu quase 30%, o tomate e o feijão-carioca. O IBGE destacou que, devido a problemas climáticos, alimentos como o tomate e a cenoura mais do que dobraram de preço no acumulado do primeiro semestre deste ano.
O bolso do brasileiro também sentiu o impacto direto da conta de luz residencial, que subiu pouco mais de 2% e foi o item individual que mais pressionou a inflação de junho. Esse encarecimento é reflexo direto da adoção da bandeira tarifária amarela pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que adicionou uma cobrança extra a cada 100 quilowatt-hora consumidos. A medida foi necessária porque a falta de chuvas e o calor acima da média obrigaram o acionamento de usinas termelétricas, que geram uma energia mais cara do que as hidrelétricas. Além disso, reajustes locais em grandes capitais como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador ajudaram a empurrar a média nacional para cima.


Por outro lado, o grupo de transportes atuou como um freio na inflação e evitou um resultado maior, impulsionado pela queda expressiva nos preços dos combustíveis. O etanol recuou mais de 5%, a gasolina caiu 0,73% e o óleo diesel recuou quase 1,5% no período, compensando o aumento de 7,24% registrado nas passagens aéreas. O IPCA-15 funciona como um termômetro para a inflação oficial, utilizando quase a mesma metodologia, mas com um período de coleta antecipado — que neste mês foi de 16 de maio a 16 de junho. O índice oficial consolidado deste mês será divulgado pelo governo no próximo dia 10 de julho.







