


Em sessão marcada por tensão e manifestações da população, postura do presidente da Câmara de Riolândia chamou mais atenção pelo confronto e pela preocupação com gravações do que pela apresentação de argumentos

A sessão da Câmara Municipal de Riolândia desta segunda-feira, 17 de agosto, deveria ter como protagonista um assunto sério envolvendo dois vereadores. No entanto, em vários momentos, quem acabou atraindo os holofotes foi o próprio presidente da Casa, Gênese Yoshida de Queiroz, e não exatamente pelos argumentos apresentados.
A condução da sessão levantou uma questão que vai muito além de posicionamento político: Gênese está preparado para manter a serenidade e o controle necessários quando é colocado sob pressão?


Presidir uma Câmara Municipal não significa apenas ocupar a cadeira central, controlar microfones ou determinar quem pode falar. A função exige preparo, equilíbrio, capacidade de ouvir manifestações contrárias e, sobretudo, maturidade para não transformar críticas em confrontos pessoais.
E foi justamente isso que pareceu faltar em momentos da sessão.
“Está gravado?”
Enquanto a população acompanhava uma discussão de enorme importância política para o município, chamou atenção a preocupação recorrente do presidente com o registro das próprias falas.
Questionamentos sobre se determinadas declarações estavam sendo gravadas acabaram ganhando espaço em meio ao debate.
E fica inevitável a pergunta:
a preocupação era esclarecer os fatos ou produzir frases para serem utilizadas posteriormente em cortes e disputas nas redes sociais?
Uma Câmara Municipal não pode funcionar como estúdio de produção de conteúdo político.
Se existem argumentos, documentos e fundamentos para sustentar determinada posição, são eles que precisam ocupar o centro da discussão.
Não basta perguntar se “está gravado”.
É preciso ter argumento para aquilo que está sendo gravado.
Quando a pressão aumenta, o presidente precisa diminuir a temperatura
Talvez a maior demonstração de preparo de quem preside um Poder Legislativo aconteça justamente nos momentos de maior tensão.
Quando o plenário se manifesta, quando há discordância e quando a pressão aumenta, espera-se que o presidente seja a pessoa responsável por diminuir a temperatura do ambiente.
Nesta segunda-feira, porém, a impressão transmitida em diversos momentos foi justamente a contrária.
Em vez de serenidade, houve confronto.
Em vez de ignorar provocações e seguir os trabalhos, a Presidência reagiu às manifestações.
E quando quem deveria controlar a sessão parece também se deixar envolver pelo clima do plenário, surge uma dúvida legítima sobre o preparo para exercer uma função que exige autocontrole permanente.
População não pode ser tratada como adversária
Também causou desconforto a tentativa de retirar pessoas do público durante manifestações contrárias ao que estava acontecendo no plenário.
Naturalmente, existe limite.
A Presidência tem obrigação de garantir que a sessão possa acontecer e pode intervir diante de situações que efetivamente impeçam os trabalhos.
Mas existe uma enorme diferença entre impedir uma sessão e manifestar insatisfação política.
Quem ocupa a Presidência precisa saber conviver inclusive com vaias, críticas e manifestações que não gostaria de ouvir.
A Câmara Municipal não pertence ao presidente.
Não pertence aos vereadores.
Pertence à população.
E justamente por isso, quem ocupa temporariamente a principal cadeira daquela Casa precisa compreender que autoridade institucional não significa intolerância à discordância.
Experiência política se demonstra sob pressão
É muito fácil demonstrar tranquilidade quando ninguém questiona.
É quando aparece a pressão que o preparo se revela.
A cadeira de presidente exige uma postura diferente daquela de um vereador comum. Quem preside não pode entrar em todas as provocações, reagir a cada manifestação do público ou transformar o microfone da Presidência em instrumento permanente de resposta.
Precisa ouvir.
Precisa ponderar.
Precisa conduzir.
E, principalmente, precisa ter controle emocional suficiente para compreender que ser contrariado faz parte do cargo.
Nesta segunda-feira, Gênese teve diante de si exatamente esse teste.
E a imagem deixada pela sessão foi preocupante.
Menos preocupação com o vídeo. Mais preocupação com a Presidência.
Riolândia não precisa de uma Presidência preocupada em saber a todo instante se uma frase ficará registrada.
Precisa de uma Presidência preocupada em garantir que o procedimento seja correto, que os vereadores possam exercer suas funções e que a população seja respeitada.
Porque vídeo pode render corte.
Frase de efeito pode render postagem.
Confronto pode render engajamento.
Mas nenhuma dessas coisas substitui preparo para presidir um Poder Legislativo.
Ao final da sessão, portanto, uma pergunta ficou maior do que qualquer vídeo que possa circular nas redes sociais:
Gênese está preocupado em mostrar que tem autoridade ou em demonstrar que tem equilíbrio para exercê-la?
Porque autoridade se conquista com postura.
E cadeira nenhuma consegue esconder falta de preparo quando a pressão começa.







