


O almoço de Páscoa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou destaque nas redes sociais após a primeira-dama, Janja da Silva, publicar um vídeo preparando carne de paca para a ocasião. Segundo informações do jornalista Lauro Jardim, a iguaria foi um presente enviado pelo empresário Emílio Odebrecht, que mantém o hábito de presentear o presidente com o animal algumas vezes por ano. Emílio, que possui uma amizade de longa data com o petista, apresenta-se como um dos principais criadores de paca do país, o que explica a origem do item silvestre que gerou curiosidade e debate entre os internautas sobre o consumo desse tipo de carne.

A figura do doador, no entanto, carrega um histórico que vai além da criação de animais. Emílio Odebrecht tornou-se amplamente conhecido durante a Operação Lava Jato, sendo o patriarca da família que comandava a então construtora Odebrecht, hoje rebatizada como Novonor. O empresário foi citado em diversas delações de executivos da companhia em 2016, quando a empreiteira fechou um amplo acordo de leniência com a Procuradoria-Geral da República. Na época, os depoimentos revelaram esquemas complexos de pagamentos e repasses financeiros a partidos políticos, resultando em inúmeras investigações no Supremo Tribunal Federal.
Apesar das citações nos processos e do impacto dos escândalos na estrutura da empresa, Emílio Odebrecht nunca sofreu uma condenação criminal. Nos últimos anos, ele optou por uma rotina mais reservada e se afastou das decisões administrativas da companhia, que passou por uma profunda reestruturação financeira e mudou de identidade visual e nome para tentar superar a crise de imagem deixada pela operação. Enquanto o empresário mantém o perfil discreto, o gesto de amizade com o presidente Lula reacende discussões sobre as relações pessoais do mandatário com figuras centrais da história política e empresarial recente do Brasil.








