


A elevada concentração de riqueza na política brasileira funciona como um obstáculo para a redução das desigualdades no país. A conclusão é do relatório Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia, divulgado pela Oxfam Brasil, que analisa como a ocupação de cargos públicos por elites econômicas impede o avanço de leis voltadas à distribuição de renda e ao bem-estar social.

De acordo com a publicação, a influência do poder financeiro no processo eleitoral e na tomada de decisões públicas limita o alcance da democracia. O estudo indica que a disparidade não se restringe aos salários, mas se consolida na ocupação dos espaços de poder por um perfil predominantemente masculino, branco e de alto patrimônio. Dados do Tribunal Superior Eleitoral destacados na pesquisa mostram que, nas eleições de 2022, quase 45% das pessoas eleitas declararam patrimônio superior a R$ 1 milhão. No Senado, candidatos com bens acima desse valor representavam 38% dos concorrentes, mas ocuparam 55% das vagas em disputa.
A pesquisa aponta que essa dinâmica se reflete também na sub-representação de mulheres e negros no Congresso Nacional e no comando dos municípios. Além do ambiente legislativo, o levantamento indica que instâncias técnicas dos Poderes Executivo e Judiciário, além de conselhos consultivos, reproduzem a mesma lógica de restrição de acesso, concentrando a formulação de políticas nas mãos de grupos economicamente favorecidos.


O relatório correlaciona o cenário nacional a estudos internacionais sobre o acúmulo de capital. Segundo dados do Global Wealth Report, elaborado pelo banco UBS e citado no documento, o Brasil encerrou o período recente na quarta posição mundial em desigualdade patrimonial, com cerca de 69% da população adulta situada na base da pirâmide financeira. O levantamento ressalta que, embora programas sociais e transferências de renda tenham papel importante na atenuação da pobreza, a estrutura tributária do país continua a pesar proporcionalmente mais sobre a população de menor renda do que sobre os grandes patrimônios.
Como caminhos para reverter esse quadro, a organização defende reformas na transparência e justiça tributária, maior controle social sobre o orçamento público, incentivo à representatividade da diversidade populacional nas instâncias decisórias e limitação do impacto dos interesses corporativos na gestão estatal.







