segunda, 8 de junho de 2026

Prejuízo dos Correios dispara no início de 2026 e atinge R$ 3,16 bilhões

Os Correios iniciaram o primeiro trimestre de 2026 enfrentando sérias turbulências financeiras. O balanço financeiro divulgado pela estatal aponta que a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões nos primeiros três meses do ano. O resultado negativo é 82,3% maior do que as perdas registradas no mesmo período do ano anterior, que haviam somado R$ 1,72 bilhão. O cenário acende um sinal de alerta, vindo logo após a companhia fechar o ano de 2025 com o pior desempenho de sua história, acumulando um prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões e deixando seu patrimônio líquido negativo em R$ 16,2 bilhões.

A estatal justificou o agravamento da crise financeira por meio de três fatores principais: a queda no faturamento, a explosão das despesas com juros e financiamentos, e a necessidade de atualizar as reservas para disputas na Justiça. O maior peso inesperado veio de uma reserva contábil de R$ 1,06 bilhão feita para cobrir eventuais perdas com processos trabalhistas em andamento, uma reclassificação de dívidas cobrada por órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU). Com esse reajuste, o montante total reservado para problemas judiciais saltou para R$ 4,66 bilhões em março.

No faturamento, a receita bruta da empresa recuou 2,2%, caindo para R$ 4,04 bilhões. Esse tombo foi puxado principalmente pela concorrência acirrada no setor de entregas e pela modernização do mercado, que reduziu a procura por serviços tradicionais. O segmento de encomendas caiu para R$ 2,2 bilhões, enquanto as postagens vindas do exterior desabaram 60,3%, somando apenas R$ 156 milhões. Por outro lado, o envio de mensagens tradicionais como cartas e documentos subiu para R$ 1,2 bilhão, e as receitas diversas cresceram para R$ 465 milhões.

Pelo lado positivo, os Correios conseguiram cortar despesas operacionais diretas e custos com funcionários. A folha de pagamento caiu de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões devido aos reflexos de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) lançado em 2024. No entanto, o esforço foi anulado pelo salto nas despesas financeiras, que passaram de R$ 283 milhões para R$ 985 milhões em um ano, reflexo dos juros dos empréstimos contratados pela própria estatal para manter o caixa funcionando, incluindo uma linha de crédito de R$ 12 bilhões obtida em 2025 com garantia do governo federal.

Outro indicador que chamou a atenção e pesou no bolso da empresa foi o gasto com indenizações aos clientes por atrasos nas entregas. Esse valor subiu de R$ 2 milhões em março de 2025 para R$ 30,5 milhões no mesmo mês deste ano. O aumento expressivo de mais de 15 vezes revela falhas no dia a dia da operação, agravadas principalmente pelos reflexos de uma greve de trabalhadores que ocorreu no final do ano passado.

Sob o comando do presidente Emmanoel Rondon, que assumiu o cargo no final de 2025, os Correios seguem aplicando um plano de reestruturação para tentar equilibrar as contas. O pacote inclui a venda de imóveis abandonados ou sem uso, corte de gastos de escritório, revisão de contratos e investimentos em tecnologia e logística. Embora a operação direta tenha gerado um lucro bruto de R$ 153,4 milhões, o peso das dívidas antigas, impostos e custos administrativos ainda impede que a empresa saia do vermelho. A expectativa da diretoria é estancar o crescimento das perdas para conseguir voltar a dar lucro a partir de 2027.

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