


Um novo plano da prefeitura de San Diego (Califórnia, EUA) para permitir que donos de cães frequentem campos de escolas públicas em horários autorizados vem gerando confusão e o fechamento frequente de áreas de lazer. Nas recomendações, tutores deveriam recolher as fezes de seus animais, o que não tem acontecido.

A iniciativa começou a ser testada depois que o município reduziu o contrato com a Sociedade Protetora dos Animais devido a cortes orçamentários, eliminando a patrulha e a aplicação de multas por infrações. A meta era garantir liberdade aos animais nos períodos permitidos, mantendo a higiene necessária para o uso das crianças em idade escolar.
Na prática, a falta de recolhimento dos dejetos pelos proprietários tem levado à interdição constante dos espaços. O projeto-piloto abrange as escolas Pacific Beach Middle, Birney Elementary e Franklin Elementary, escolhidas justamente pelos altos índices de sujeira registrados no passado.


Para monitorar o cumprimento das regras, placas instaladas nas unidades utilizam um sistema de alerta nas cores verde, amarela e vermelha, inspirado no modelo do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. As cores sinalizam se a comunidade atinge os critérios de higiene exigidos.
Conforme a regra estabelecida, o alerta amarelo é acionado assim que “um único incidente de fezes de cachorro” for identificado por funcionários da escola, explicou o porta-voz da prefeitura, Benny Cartwright, ao portal “Axios”.
Se um segundo caso for registrado na grama dentro do prazo de 30 dias, a classificação passa para o nível vermelho. Com isso, o campo fica trancado e suspenso para uso do público por 15 dias, permanecendo acessível apenas aos estudantes durante o período escolar. Na reabertura do local, o espaço retorna automaticamente ao alerta amarelo durante mais 30 dias. Ocorrências adicionais dentro dessa janela de tempo provocam o fechamento preventivo por um período maior, de 30 dias.
Apesar da rigidez das medidas, a administração municipal não detalhou critérios específicos sobre a caracterização dos dejetos, como tamanho ou consistência, nem esclareceu como os inspetores diferenciam a sujeira de um simples torrão de terra. A aplicação das punições gerou uma sequência contínua de interdições nas escolas atendidas.
Logo na primeira semana de aulas, a Escola Primária Franklin teve o gramado interditado por 15 dias e, após retornar à fase amarela, registrou “um incidente adicional” no dia 9 de setembro, segundo dados do município.
Cenário semelhante ocorreu na Pacific Beach Middle School, que atingiu o alerta vermelho após “três incidentes relatados” no mês de agosto, com liberação dos portões realizada apenas em 15 de setembro.
Em contrapartida, a Escola Primária Birney não apresentou nenhuma infração desde o início do programa e segue sem registros de irregularidades.
A população tem permissão para utilizar os espaços nos períodos da tarde e da noite, desde que mantendo os animais obrigatoriamente na coleira e realizando o recolhimento das fezes. De acordo com Benny, ainda não há prazos nem definição sobre a expansão do projeto para outras unidades de ensino, sendo cedo para avaliar se a medida provocou mudanças definitivas no comportamento dos tutores.







