domingo, 4 de outubro de 2026

Prefeitura usa sistema de cores para alertas sobre donos que não recolhem fezes de cães

Um novo plano da prefeitura de San Diego (Califórnia, EUA) para permitir que donos de cães frequentem campos de escolas públicas em horários autorizados vem gerando confusão e o fechamento frequente de áreas de lazer. Nas recomendações, tutores deveriam recolher as fezes de seus animais, o que não tem acontecido.

A iniciativa começou a ser testada depois que o município reduziu o contrato com a Sociedade Protetora dos Animais devido a cortes orçamentários, eliminando a patrulha e a aplicação de multas por infrações. A meta era garantir liberdade aos animais nos períodos permitidos, mantendo a higiene necessária para o uso das crianças em idade escolar.

Na prática, a falta de recolhimento dos dejetos pelos proprietários tem levado à interdição constante dos espaços. O projeto-piloto abrange as escolas Pacific Beach Middle, Birney Elementary e Franklin Elementary, escolhidas justamente pelos altos índices de sujeira registrados no passado.

Para monitorar o cumprimento das regras, placas instaladas nas unidades utilizam um sistema de alerta nas cores verde, amarela e vermelha, inspirado no modelo do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. As cores sinalizam se a comunidade atinge os critérios de higiene exigidos.

Conforme a regra estabelecida, o alerta amarelo é acionado assim que “um único incidente de fezes de cachorro” for identificado por funcionários da escola, explicou o porta-voz da prefeitura, Benny Cartwright, ao portal “Axios”.


Se um segundo caso for registrado na grama dentro do prazo de 30 dias, a classificação passa para o nível vermelho. Com isso, o campo fica trancado e suspenso para uso do público por 15 dias, permanecendo acessível apenas aos estudantes durante o período escolar. Na reabertura do local, o espaço retorna automaticamente ao alerta amarelo durante mais 30 dias. Ocorrências adicionais dentro dessa janela de tempo provocam o fechamento preventivo por um período maior, de 30 dias.

Apesar da rigidez das medidas, a administração municipal não detalhou critérios específicos sobre a caracterização dos dejetos, como tamanho ou consistência, nem esclareceu como os inspetores diferenciam a sujeira de um simples torrão de terra. A aplicação das punições gerou uma sequência contínua de interdições nas escolas atendidas.

Logo na primeira semana de aulas, a Escola Primária Franklin teve o gramado interditado por 15 dias e, após retornar à fase amarela, registrou “um incidente adicional” no dia 9 de setembro, segundo dados do município.

Cenário semelhante ocorreu na Pacific Beach Middle School, que atingiu o alerta vermelho após “três incidentes relatados” no mês de agosto, com liberação dos portões realizada apenas em 15 de setembro.

Em contrapartida, a Escola Primária Birney não apresentou nenhuma infração desde o início do programa e segue sem registros de irregularidades.

A população tem permissão para utilizar os espaços nos períodos da tarde e da noite, desde que mantendo os animais obrigatoriamente na coleira e realizando o recolhimento das fezes. De acordo com Benny, ainda não há prazos nem definição sobre a expansão do projeto para outras unidades de ensino, sendo cedo para avaliar se a medida provocou mudanças definitivas no comportamento dos tutores.

Notícias relacionadas