sexta, 17 de abril de 2026

Prefeitura e Câmara divergem sobre uso de ônibus gratuito em rota rural de Fernandópolis

A utilização de ônibus do transporte coletivo gratuito em trajetos que atendem áreas rurais e empresas instaladas às margens da rodovia tornou-se centro de um debate político em Fernandópolis. A polêmica começou após um questionamento do vereador Daniel de Domênicis, que levantou dúvidas sobre se o serviço estaria sendo usado de forma exclusiva para beneficiar trabalhadores de uma empresa privada específica. O tema divide opiniões entre quem defende o direito ao transporte para trabalhadores de distritos industriais e aqueles que cobram maior fiscalização sobre o uso da frota municipal.

Em resposta oficial, a Prefeitura de Fernandópolis negou qualquer irregularidade ou exclusividade no serviço. Segundo a administração, o itinerário em questão não é novo e já funciona desde 2022, antes mesmo da atual empresa assumir o contrato. A rota percorre um trecho da Rodovia Euclides da Cunha (SP-320) até o trevo de Meridiano, realizando paradas em horários estratégicos, como às 7h e às 17h30, para atender o público que trabalha no Distrito VI e em estabelecimentos comerciais próximos a um posto de combustíveis da região. O município reforça que a atual concessionária apenas manteve o trajeto anterior, agora utilizando veículos mais modernos.

Apesar dos esclarecimentos, o vereador autor do requerimento mantém a cobrança por documentos detalhados que comprovem a legalidade da rota. O parlamentar solicita acesso a relatórios de GPS, ordens de serviço e dados sobre o fluxo de passageiros para verificar se o ônibus de fato atende à comunidade em geral ou se funciona como um transporte fretado para empresas específicas. O debate também traz à tona reclamações de moradores sobre a superlotação em linhas urbanas, gerando o questionamento se o deslocamento de veículos para áreas mais afastadas estaria prejudicando o atendimento nos bairros da cidade.

Por outro lado, funcionários e moradores que dependem da linha defendem a manutenção do trajeto, argumentando que o transporte público é um direito essencial para quem trabalha fora do perímetro urbano. O caso agora aguarda o envio da documentação formal à Câmara Municipal. O desfecho da polêmica dependerá da análise desses dados técnicos, que poderão confirmar se a operação cumpre o interesse público ou se necessitará de ajustes no contrato de prestação de serviço de transporte gratuito.

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