sexta, 29 de maio de 2026

Prefeitura de Rio Preto contrata entidade sob intervenção para mutirão de exames

Uma contratação de R$ 11,9 milhões realizada pela Prefeitura de Rio Preto para reduzir a fila de exames de imagem na cidade tornou-se centro de uma polêmica após a revelação de problemas na gestão da entidade escolhida. A Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, que ficará responsável pelo serviço, foi alvo de uma intervenção administrativa em sua cidade de origem no ano passado, motivada por falhas graves na organização financeira e na prestação de contas de dinheiro público.

O decreto de intervenção, assinado pela Prefeitura de Casa Branca em agosto de 2024, detalhou que a unidade de saúde apresentava desorganização contábil e falta de transparência sobre como os recursos dos convênios eram aplicados. Na época, a administração daquela cidade decidiu assumir o controle temporário do hospital para evitar que os serviços à população fossem interrompidos devido à má gestão. Mesmo com esse histórico recente de instabilidade e questionamentos sobre o uso de verbas, a instituição foi selecionada por Rio Preto para executar um contrato de larga escala sem passar por um processo de licitação.

A escolha da entidade e o modelo do contrato geraram reações na Câmara Municipal de Rio Preto. O vereador Renato Pupo (Avante) formalizou um pedido de explicações, questionando não apenas os valores envolvidos, mas também a capacidade da Santa Casa de cumprir a meta de exames no prazo estabelecido. O parlamentar defende que um investimento desse porte, feito com dispensa de licitação, exige total clareza sobre a eficiência e a legalidade da escolha, especialmente diante das notícias sobre as irregularidades apontadas na cidade vizinha.

Por outro lado, a Secretaria de Saúde de Rio Preto justifica a contratação emergencial como uma medida necessária para resolver uma espera que chega a dois anos e meio na rede pública. De acordo com a pasta, o valor do contrato é superior à tabela do SUS porque inclui uma estrutura móvel completa, com funcionamento diário e equipes especializadas para atender à demanda reprimida. A prefeitura alega ainda que buscou instituições locais antes de fechar com a Santa Casa de Casa Branca, mas não houve interesse das entidades da região em assumir o mutirão nos moldes exigidos. Até o momento, a secretaria não comentou os detalhes específicos sobre a intervenção sofrida pela prestadora de serviço.

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