sexta, 7 de agosto de 2026

Preconceito e estigma em torno do HIV podem causar 440 mil mortes evitáveis nesta década

A falta de combate ao estigma social associado ao HIV pode resultar em até 440 mil mortes que poderiam ser evitadas no mundo ao longo desta década, aponta um estudo internacional conduzido pela iniciativa Tackle HIV. Embora a ciência tenha alcançado avanços históricos no tratamento da doença, a discriminação e o medo continuam sendo os principais obstáculos para que as pessoas façam o teste ou iniciem o uso de medicamentos essenciais para a saúde.

Mesmo com a redução global nos índices de novas infecções e mortes por Aids, o Brasil e outros 20 países registraram um aumento na quantidade de diagnósticos. Dados do Boletim Epidemiológico brasileiro apontam mais de 39 mil notificações de infecção pelo HIV em um ano, com a maior concentração na Região Sudeste. Para discutir esses cenários e propor soluções locais, especialistas e ativistas reuniram-se no Rio de Janeiro durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, evento sediado pela primeira vez no país.

A pesquisa revelou altos índices de desinformação no Brasil. Mais de 35% dos entrevistados acreditam erroneamente que homens e mulheres heterossexuais não correm risco de contrair o vírus, e menos da metade da população consultada afirmou já ter realizado o teste para o HIV. O levantamento mostrou ainda que apenas 29% das pessoas sabem que indivíduos soropositivos em tratamento eficaz e com carga viral indetectável não transmitem o vírus durante relações sexuais.

Paralelamente aos desafios sociais, o país avança no cumprimento das metas globais estabelecidas pela ONU para erradicar a Aids como ameaça de saúde pública até 2030, já tendo alcançado indicadores de alta taxa de diagnóstico e supressão da carga viral entre os pacientes tratados. Como novidade no setor público, o Governo Federal avalia incorporar ao SUS a PrEP injetável, um método preventivo capaz de proteger pessoas não infectadas por até seis meses. Fundador da campanha Tackle HIV e ex-jogador de rugby, Gareth Thomas reforça que o diagnóstico positivo hoje não é uma sentença de morte, mas sim o ponto de partida para um tratamento que permite vida normal, saudável e plena.

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