segunda, 8 de junho de 2026

Pré-candidata de esquerda a presidente defende fim da Polícia Militar

A cirurgiã-dentista Samara Martins, que se apresenta como pré-candidata à Presidência da República pelo partido Unidade Popular (UP), reafirmou recentemente uma das propostas centrais de sua plataforma política: a desmilitarização das polícias estaduais. Em entrevista concedida ao portal Opera Mundi, a representante da sigla de esquerda explicou que a medida visa transformar a atual estrutura da segurança pública, defendendo que o fim do modelo militar permitiria tratar os agentes como trabalhadores civis e evitaria que a população fosse vista sob uma lógica de confronto.

Para a pré-candidata, a configuração atual das corporações impede que os próprios policiais tenham voz ativa ou condições de saúde mental preservadas diante de operações violentas. Samara argumenta que o modelo militarizado impõe uma dinâmica de guerra, citando como exemplo ações em comunidades do Rio de Janeiro que resultam em altos índices de letalidade. Segundo ela, a proposta do partido busca assegurar que os policiais possam opinar sobre as estratégias de atuação, humanizando o serviço e estreitando os laços entre os agentes e a sociedade.

Essa bandeira não é inédita na trajetória da legenda, que já havia incluído o fim da Polícia Militar em seu plano de governo durante as eleições de 2022, quando Samara concorreu ao cargo de vice-presidente. Na época, o programa de governo da UP sugeria uma reorganização completa da Política Nacional de Segurança Pública com ampla participação popular. O foco da proposta era combater o que classificam como racismo institucional e resgatar o princípio de proteção ao cidadão, em vez da atual lógica de combate ao “inimigo interno”.

Além da mudança estrutural na hierarquia e no funcionamento das polícias, o projeto defendido por Samara Martins propõe um investimento maior em setores de inteligência para o enfrentamento do crime organizado. A pré-candidata defende que a desmilitarização é um caminho para tornar o sistema de segurança mais eficiente e menos violento, integrando a população nas decisões sobre a organização da vigilância e do policiamento em seus respectivos estados.

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