segunda, 3 de agosto de 2026

Pouco conhecida e grave, mola gestacional pode evoluir para câncer de placenta

A descoberta de uma gravidez é um momento cercado de expectativas, mas para muitas mulheres no Brasil a notícia pode vir acompanhada de um diagnóstico raro e delicado: a doença trofoblástica gestacional, popularmente conhecida como mola gestacional. Ocasionada por uma falha genética no momento da fertilização do óvulo, a complicação gera um desenvolvimento anormal da placenta e impede a continuidade da gestação. Em até 20% dos casos mais graves, as células do tumor benigno podem se espalhar pelo útero e se transformar em um câncer maligno de placenta, exigindo tratamento quimioterápico.

O processo da doença varia conforme a sua classificação. Na mola incompleta, um óvulo normal é fecundado por dois espermatozoides ou por um espermatozoide com material genético duplicado, resultando em um embrião com malformações incompatíveis com a vida. Já na mola completa, o óvulo não possui DNA e gera apenas uma massa placentária sem embrião. Em ambos os cenários, a gestação precisa ser interrompida cirurgicamente por meio de aspiração uterina para conter riscos de sangramentos intensos, oscilações na pressão arterial e alterações na tireoide.

A incidência da complicação no Brasil é consideravelmente mais alta do que em países desenvolvidos, atingindo uma a cada 200 a 400 gestantes, em comparação com os Estados Unidos e a Inglaterra. Por não necessitar de biópsia para confirmação diagnóstica, o monitoramento do tumor é realizado através de exames sanguíneos do hormônio HCG. Caso as taxas hormonais não recuem após o esvaziamento uterino, confirma-se a presença das células cancerígenas no organismo.

Especialistas ressaltam a importância de direcionar as pacientes para centros de referência em saúde pública, como a Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde o acompanhamento especializado reduz drasticamente os índices de mortalidade. O tratamento adequado oferece altíssimas chances de cura e preserva a fertilidade das mulheres, permitindo que voltem a sonhar com a maternidade no futuro. Além dos procedimentos clínicos e da quimioterapia, as unidades especializadas oferecem acolhimento psicológico e social, auxiliando pacientes e familiares a enfrentarem o luto da perda gestacional e os impactos da rotina de exames.

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