terça, 6 de outubro de 2026

Polifarmácia em idosos alerta para os riscos do uso excessivo e simultâneo de remédios

O uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos diários, fenômeno conhecido no meio médico como polifarmácia, tornou-se um sinal de alerta para a manutenção da saúde e do bem-estar na terceira idade. Frequentemente adotada no tratamento de pessoas com múltiplas condições crônicas, a prática exige acompanhamento rigoroso devido aos sérios riscos de efeitos colaterais, interações químicas perigosas e complicações como quedas, confusão mental e internações hospitalares.

Segundo dados apresentados pelo médico e coordenador do programa USP 60+, Egídio Dorea, o uso de múltiplos remédios atinge entre 39% e 45% da população idosa mundial. No Brasil, o índice varia de 18% a 57%, registrando maior incidência entre mulheres, pessoas com mais de 75 anos e pacientes diagnosticados com várias enfermidades. O especialista adverte para o perigo da iatrogenia — quando o próprio tratamento gera danos não intencionais à saúde —, destacando a frequência de prescrições prolongadas e inadequadas de calmantes, anti-inflamatórios e protetores gástricos.

Para combater esse cenário, a orientação científica foca no uso racional das substâncias e no processo de desprescrição, que consiste em revisar periodicamente a lista de medicamentos com o médico responsável para avaliar a suspensão ou redução de doses sem utilidade clínica. Os profissionais recomendam que os pacientes nunca interrompam tratamentos por conta própria, mas mantenham um diálogo aberto com a equipe de saúde para evitar a chamada cascata medicamentosa, na qual novos remédios são inseridos na rotina apenas para conter os efeitos colaterais causados por comprimidos anteriores.

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