segunda, 6 de abril de 2026

Polícia Federal investiga furto e manipulação irregular de vírus em laboratórios da Unicamp

Uma investigação da Polícia Federal revelou que ao menos 24 tipos de vírus foram furtados de um laboratório de alta segurança da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e transportados de forma irregular entre diferentes unidades de pesquisa. O caso, que veio a público neste domingo (29), envolve cepas de doenças conhecidas, como dengue, zika, chikungunya e coronavírus humano, além de agentes biológicos que infectam animais. A principal suspeita é a pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, que chegou a ser presa preventivamente no último dia 23 de março, mas obteve liberdade provisória sob a condição de não acessar laboratórios nem deixar o país.

O desaparecimento das amostras foi notado em meados de fevereiro, dentro de uma área de contenção biológica rigorosa, conhecida como nível NB-3. Segundo as autoridades, a pesquisadora teria acessado diversos laboratórios, por vezes com a ajuda de terceiros, mesmo sem possuir autorização própria para esses locais. O material subtraído foi encontrado em locais não autorizados, armazenado inadequadamente em freezers comuns e, em alguns casos, descartado parcialmente em lixeiras após ser manipulado. Essa exposição de amostras virais fora dos protocolos de segurança é considerada um risco direto à saúde pública e ao meio ambiente.

A Polícia Federal investiga agora se o marido de Soledad, Michael Edward Miller, também participou do esquema. A suspeita é que o casal estivesse envolvido na produção e transporte de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) sem as devidas licenças dos órgãos de fiscalização, como a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). O material recuperado foi enviado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise técnica, enquanto os envolvidos podem responder por crimes que incluem furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de material genético.

Em nota, a reitoria da Unicamp informou que está colaborando integralmente com o inquérito da Polícia Federal e que abriu uma sindicância interna para apurar as falhas de segurança que permitiram o ocorrido. A defesa de Soledad optou por não se manifestar publicamente, alegando que o processo corre sob sigilo na Justiça Federal de Campinas. Enquanto as investigações prosseguem para entender a motivação do crime, as autoridades reforçam que a manipulação de vírus em ambientes não controlados representa um perigo iminente devido ao risco de contaminação acidental.

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