

O piloto que perdeu a vida na queda de um avião monomotor em Altair, no interior paulista, foi identificado como Gabriel Bispo Gonçalves, morador de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. O acidente ocorreu na madrugada deste sábado (18), em uma área rural próxima a um canavial, e o corpo da vítima foi encontrado carbonizado em meio aos destroços. Segundo registros policiais, Gabriel já havia sido condenado pela Justiça Federal em novembro de 2023 por envolvimento no transporte de entorpecentes utilizando aeronaves, sendo apontado na época como proprietário de um avião usado para fins ilícitos.

A aeronave envolvida no acidente, um modelo Cessna U206E fabricado em 1970, operava de maneira totalmente irregular. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o certificado de aeronavegabilidade do monomotor estava suspenso desde o último dia 9 devido ao vencimento. Sem essa documentação válida, o avião estava legalmente impedido de decolar. Além disso, o registro do aparelho permitia apenas o uso para serviços privados, sem autorização para o transporte remunerado de passageiros ou qualquer modalidade de táxi aéreo.
O alerta sobre a queda foi dado por um funcionário de uma usina local que avistou um forte clarão seguido de incêndio perto de uma frente de colheita de cana-de-açúcar. Ao chegarem ao ponto indicado, as equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar encontraram partes da fuselagem espalhadas por uma grande extensão de terra. O avião está registrado em nome de uma distribuidora com sede na capital paulista, e as circunstâncias que levaram o piloto a realizar o voo noturno com a documentação vencida ainda estão sob investigação.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira, enviou peritos ao local para realizar a coleta inicial de dados e preservar evidências. Os especialistas trabalham na verificação dos danos e no levantamento de informações técnicas que possam explicar as causas da queda. Enquanto o trabalho pericial avança, a Polícia Civil também acompanha o caso para cruzar informações sobre o histórico do piloto e a real finalidade da viagem interrompida pelo acidente.







