domingo, 6 de setembro de 2026

PF indicia 16 ligados à Voepass por queda de avião e aponta cultura de omissão na empresa

A Polícia Federal (PF) concluiu as investigações sobre o acidente aéreo da Voepass Linhas Aéreas em Vinhedo, no interior de São Paulo, e indiciou 16 pessoas envolvidas no caso, incluindo o presidente da companhia, José Luiz Felício Filho. A tragédia, ocorrida em agosto de 2024, provocou a morte de 62 pessoas após a queda da aeronave turboélice ATR 72-500. Por determinação da Justiça Federal, os indiciados estão proibidos de deixar o país enquanto o Ministério Público Federal analisa o inquérito para decidir quem responderá judicialmente.

Entre os indiciados, 15 responderão pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo com resultado de morte, cuja pena pode chegar a 24 anos de prisão, enquanto o piloto do voo imediatamente anterior foi indiciado por falsidade ideológica. O rol inclui diretores de operações, manutenção e segurança, além do mecânico de pista e o chefe dos pilotos. Segundo as apurações, a aeronave decolou sem condições técnicas adequadas para enfrentar condições severas de gelo, com equipamentos essenciais inoperantes, como os sistemas de degelo e o limpador de para-brisa.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, a investigação revelou uma orientação sistemática da gestão da Voepass para que falhas técnicas não fossem registradas nos relatórios pós-voo, evitando assim o bloqueio preventivo das aeronaves para manutenção. A PF apontou ainda que os pilotos do voo acidentado não reagiram aos alertas sonoros e visuais de emergência acionados durante a viagem. Para apurar eventuais falhas nos processos de fiscalização do órgão regulador, a polícia solicitou à Justiça autorização para compartilhar todas as provas coletadas com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e com o Ministério Público Federal no Distrito Federal.

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