

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, na manhã desta quinta-feira, a segunda fase da Operação Disclosure. A ação tem como objetivo aprofundar as investigações sobre uma gigantesca fraude contábil estimada em aproximadamente R$ 54 bilhões dentro do Grupo Americanas. Por determinação da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, os agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão e de revista pessoal nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de executarem o bloqueio e o sequestro de bens dos suspeitos até o valor total do rombo financeiro.
De acordo com as autoridades, as investigações apontam que os novos alvos tinham pleno conhecimento das fraudes praticadas ao longo de anos pela antiga cúpula da varejista. O esquema envolvia duas frentes principais: as operações conhecidas como “risco sacado”, em que a empresa pegava empréstimos bancários para antecipar o pagamento a fornecedores, e a criação de contratos falsos de “verba de propaganda cooperada”, que são incentivos comerciais comuns no setor, mas que, neste caso, eram lançados no balanço sem nunca terem existido. A PF identificou indícios contundentes dos crimes de associação criminosa e de manipulação do mercado financeiro.
Esta nova etapa dá continuidade aos trabalhos iniciados em junho de 2024, quando a primeira fase da operação prendeu preventivamente dois ex-diretores da companhia e bloqueou mais de R$ 500 milhões em patrimônio. Naquela ocasião, a atual diretoria da Americanas colaborou ativamente com a polícia para expor como os antigos executivos mascaravam as dívidas para inflar os lucros e enganar investidores.


O caso acendeu um alerta vermelho no país e abriu um intenso debate entre especialistas sobre os limites e a eficácia da fiscalização do mercado financeiro brasileiro. Analistas apontam que a sofisticação de fraudes corporativas bem estruturadas dificulta o acompanhamento dos balanços auditados. Para os especialistas, o episódio escancara a urgência de um maior equilíbrio entre as regras do governo e a autorregulação do próprio mercado, além de evidenciar problemas crônicos enfrentados pelos órgãos reguladores do Estado, que sofrem com falta de pessoal e orçamentos limitados para fiscalizar grandes companhias.








