

A Polícia Federal iniciou uma investigação para apurar a conduta de um auditor da Receita Federal suspeito de permitir a entrada de bagagens no Brasil sem a devida fiscalização. O caso ocorreu em abril de 2025, envolvendo um voo particular vindo da Ilha de São Martinho, no Caribe, local considerado um paraíso fiscal. Entre os passageiros da aeronave estavam figuras centrais da política nacional, como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além dos deputados federais Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), e o vereador Victor Linhares (PP-PI).

De acordo com as informações colhidas pela corporação, cinco volumes transportados pelo piloto do jato ingressaram no país sem passar pelo raio-x ou por qualquer inspeção alfandegária. A aeronave utilizada no trajeto pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, que é investigado por operar plataformas de apostas eletrônicas. Outro ponto que chama a atenção dos investigadores é a presença do vereador Victor Linhares, que já era alvo de uma operação anterior sobre a atuação de organizações criminosas no setor de combustíveis.
Devido ao envolvimento de parlamentares federais, que possuem foro privilegiado, o processo foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e distribuído para o ministro Alexandre de Moraes. No momento, o ministro aguarda um posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) para decidir se o tribunal manterá a competência sobre o caso e quais serão os próximos passos das investigações. A Polícia Federal busca entender se houve facilitação proposital, o que poderia configurar crimes como contrabando, descaminho ou prevaricação, que é quando um funcionário público deixa de cumprir seu dever por interesse pessoal.
Em resposta às suspeitas, o deputado Hugo Motta divulgou uma nota afirmando que cumpriu todos os protocolos legais exigidos durante a viagem e que aguarda a manifestação da PGR para prestar esclarecimentos. Os demais políticos que estavam na lista de passageiros ainda não se pronunciaram publicamente sobre o episódio. O caso segue sob análise da Justiça para determinar se as bagagens não fiscalizadas continham itens irregulares ou se a falha no protocolo foi um erro isolado do servidor da Receita Federal.



















