


Cientistas brasileiros estão recrutando cerca de 8,5 mil voluntários para testar a primeira polipílula desenvolvida no país com foco na prevenção de acidentes vasculares cerebrais (AVC), infartos e outras complicações cardiovasculares. O medicamento combina em uma única cápsula três princípios ativos amplamente utilizados na medicina: a rosuvastatina, voltada ao controle do colesterol, e a associação de valsartana com anlodipina para o combate à pressão alta. A iniciativa é liderada pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS).

A pesquisa tem como público-alvo homens e mulheres entre 50 e 75 anos que nunca sofreram AVC ou infarto, não possuem diagnóstico de diabetes e não utilizam remédios contínuos para pressão ou colesterol. Os participantes são divididos aleatoriamente entre os que tomam a polipílula e os que recebem um placebo, sendo acompanhados gratuitamente por até quatro anos em 14 centros de pesquisa distribuídos por diversos estados. As avaliações buscam comprovar se a medicação em dose única diária consegue reduzir os índices de AVC, de perda de memória e de mortes por doenças circulatórias em pessoas classificadas com risco leve a moderado.
Os testes de fase inicial realizados em anos anteriores demonstraram que a pílula combinada reduziu significativamente os níveis de pressão arterial e de colesterol ruim sem causar reações adversas graves. Como fator complementar, o estudo disponibiliza o aplicativo “Riscômetro”, ferramenta que auxilia os pacientes no monitoramento do próprio estilo de vida e no combate ao sedentarismo e ao tabagismo. A expectativa dos coordenadores do projeto é que, caso os resultados finais confirmem a eficácia e a segurança do tratamento, a polipílula seja incorporada à rede de saúde pública como uma política de prevenção em larga escala.









