


Estudiosos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) desenvolveram uma nova tecnologia capaz de prever o percurso e a intensidade de tempestades em um intervalo de até 30 minutos. Batizado de TITAN-LSTM, o sistema combina o uso de radares meteorológicos tradicionais com modelos de inteligência artificial para atualizar as previsões a cada cinco minutos, trazendo maior precisão na localização dos focos de chuva forte sem a necessidade de supercomputadores.

A inovação, viabilizada com apoio da Fapesp, diferencia-se por seu baixo custo computacional. Em vez de exigir uma infraestrutura cara e complexa para processar milhares de imagens de satélite e radar, a ferramenta converte os dados da tempestade em estatísticas numéricas, como volume de chuva, dimensão e velocidade de deslocamento. A inteligência artificial analisa o histórico recente da nuvem e aprende o seu comportamento, conseguindo prever se a tempestade vai se intensificar, perder força ou mudar de direção nos minutos seguintes.
Durante a fase de testes, o algoritmo analisou mais de 32 mil eventos climáticos na Região Metropolitana de São Paulo. A abordagem híbrida mostrou uma eficiência três vezes superior aos métodos convencionais nos primeiros minutos de formação da chuva, aumentando a taxa de acerto do perímetro atingido e reduzindo os falsos alarmes em quase 70%. Além da alta precisão, o programa é leve e pode ser executado em computadores convencionais, o que facilita sua implantação em diferentes regiões do país.



A tecnologia tem potencial direto para reforçar as ações de prevenção de desastres e apoiar o trabalho das equipes de Defesa Civil e gerenciamento urbano no interior paulista. Com o rastreamento em tempo real, as autoridades de segurança e trânsito ganham tempo hábil para emitir alertas à população, isolar vias propensas a alagamentos e prevenir tragédias em áreas de risco. Atualmente, os cientistas trabalham na expansão do software para que ele consiga analisar tempestades mais complexas e seja disponibilizado gratuitamente para novos radares ao longo do território nacional.








