segunda, 7 de setembro de 2026

Pesquisadores da USP criam indicador inédito que identifica alertas de recessão no Brasil

Um novo indicador econômico desenvolvido por pesquisadores do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo utiliza dados sobre o mercado de trabalho para mapear e sinalizar o risco de recessão no Brasil com mais agilidade. O modelo adapta à realidade brasileira a famosa Regra de Sahm, parâmetro criado nos Estados Unidos que avalia as oscilações mensais nos níveis de emprego e desemprego para anteceder períodos de crise.

A ferramenta funciona como um sistema de aviso prévio para o setor público, permitindo que governantes adotem medidas preventivas antes do agravamento do cenário econômico. Para adaptar a métrica ao mercado nacional, que possui mais de um terço dos trabalhadores no setor informal, os cientistas ajustaram a sensibilidade do cálculo. A régua de disparo do alerta foi fixada em uma variação de 0,3 ponto percentual ao comparar a média do emprego nos últimos três meses com o momento mais crítico registrado no último ano.

Diferente do Produto Interno Bruto, que mede a produção geral de riqueza e exige mais tempo para ter os dados consolidados, o Indicador MADE foca na dinâmica do emprego, oferecendo leituras mais frequentes do ritmo econômico. Ao aplicar a metodologia a dados históricos desde 1980, os pesquisadores identificaram com precisão 14 períodos de recessão no país, além da crise provocada pela pandemia entre maio de 2020 e julho de 2021. Desde então, a economia brasileira não voltou a acender o sinal de alerta, registrando o maior período contínuo sem indicativo de recessão das últimas quatro décadas.

Notícias relacionadas