


Um novo indicador econômico desenvolvido por pesquisadores do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo utiliza dados sobre o mercado de trabalho para mapear e sinalizar o risco de recessão no Brasil com mais agilidade. O modelo adapta à realidade brasileira a famosa Regra de Sahm, parâmetro criado nos Estados Unidos que avalia as oscilações mensais nos níveis de emprego e desemprego para anteceder períodos de crise.

A ferramenta funciona como um sistema de aviso prévio para o setor público, permitindo que governantes adotem medidas preventivas antes do agravamento do cenário econômico. Para adaptar a métrica ao mercado nacional, que possui mais de um terço dos trabalhadores no setor informal, os cientistas ajustaram a sensibilidade do cálculo. A régua de disparo do alerta foi fixada em uma variação de 0,3 ponto percentual ao comparar a média do emprego nos últimos três meses com o momento mais crítico registrado no último ano.
Diferente do Produto Interno Bruto, que mede a produção geral de riqueza e exige mais tempo para ter os dados consolidados, o Indicador MADE foca na dinâmica do emprego, oferecendo leituras mais frequentes do ritmo econômico. Ao aplicar a metodologia a dados históricos desde 1980, os pesquisadores identificaram com precisão 14 períodos de recessão no país, além da crise provocada pela pandemia entre maio de 2020 e julho de 2021. Desde então, a economia brasileira não voltou a acender o sinal de alerta, registrando o maior período contínuo sem indicativo de recessão das últimas quatro décadas.









