


Um levantamento inédito divulgado pela Frente Parlamentar Mista da Educação revelou uma alarmante adesão de crianças e adolescentes às plataformas de apostas online, conhecidas como bets. De acordo com o estudo, realizado em parceria com a plataforma Equidade.info, 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio afirmam já ter apostado ao menos uma vez. O indicador atinge o ápice entre os alunos do 3º ano do ensino médio, onde quase metade dos jovens, cerca de 49,7%, declaram ter tido contato com esse tipo de jogo.

A pesquisa ouviu cerca de dois mil alunos em aproximadamente duas centenas de estabelecimentos de ensino espalhados pelo país durante os meses de agosto e setembro. O relatório aponta que o ingresso na prática ocorre precocemente, com registros de apostas a partir dos 11 anos de idade, faixa em que quase 10% dos entrevistados confirmaram participação, a despeito de a legislação brasileira proibir expressamente a participação de menores de 18 anos nesse mercado. O comportamento é predominantemente masculino, registrando mais do dobro de incidência entre meninos no ensino médio em comparação às alunas do mesmo nível escolar.
Diante do prejuízo financeiro estimado em mais de R$ 1 bilhão para o público analisado, especialistas enfatizam que o combate ao problema exige ações regulatórias diretas sobre as empresas de apostas, em vez de focar apenas em conscientização individual ou programas de educação financeira. O coordenador do levantamento e docente da Universidade de Stanford, Guilherme Lichand, adverte que o letramento financeiro não tem impedido o envolvimento dos jovens com as apostas. Diante desse cenário, a frente parlamentar e os pesquisadores defendem o banimento da publicidade do setor, o aumento da tributação sobre os valores movimentados pelas plataformas e o fortalecimento de fiscalizações para impedir o acesso de crianças e adolescentes ao sistema.









