

Mais da metade das brasileiras que já mantiveram relacionamentos com homens declarou ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida. Em contrapartida, apenas 11% dos homens com histórico de relacionamentos heterossexuais admitem ter praticado agressões contra suas companheiras ou ex-parceiras. É o que revela o estudo nacional “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, divulgado nesta quarta-feira, dia 29 de julho, pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, em parceria com a Uber. A sondagem ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país.

O levantamento traz um panorama sobre o comportamento social e o ambiente doméstico no Brasil, destacando a agressão psicológica como a forma de abuso mais vivenciada pelas mulheres, citada por 42% das entrevistadas, seguida pelos episódios de violência física, relatados por 25%. A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira, apontou que a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) registrou mais de 1 milhão de chamados em 2025, um salto de 45% sobre o ano anterior. Na percepção de 77% das brasileiras, o descaso persiste porque parcela expressiva dos homens ainda não consegue enxergar determinados comportamentos de controle e agressão como atos violentos.
Em relação à legislação, o estudo demonstra que a Lei Maria da Penha é um mecanismo amplamente reconhecido e aprovado no país. Sete em cada dez mulheres afirmam que a norma produz efeitos reais e mais de 80% se sentem mais conscientes de seus direitos após a sua criação. Contudo, a diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê, ponderou que a maioria da população considera que a lei, isoladamente, não basta para frear o problema. Entre os principais entraves para a formalização de denúncias, as participantes destacaram a sensação de impunidade e a lentidão do Poder Judiciário na condução e conclusão dos processos.











