domingo, 9 de agosto de 2026

Pesquisa revela que 54% das brasileiras sofreram violência de parceiros

Mais da metade das brasileiras que já mantiveram relacionamentos com homens declarou ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida. Em contrapartida, apenas 11% dos homens com histórico de relacionamentos heterossexuais admitem ter praticado agressões contra suas companheiras ou ex-parceiras. É o que revela o estudo nacional “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, divulgado nesta quarta-feira, dia 29 de julho, pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, em parceria com a Uber. A sondagem ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país.

O levantamento traz um panorama sobre o comportamento social e o ambiente doméstico no Brasil, destacando a agressão psicológica como a forma de abuso mais vivenciada pelas mulheres, citada por 42% das entrevistadas, seguida pelos episódios de violência física, relatados por 25%. A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira, apontou que a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) registrou mais de 1 milhão de chamados em 2025, um salto de 45% sobre o ano anterior. Na percepção de 77% das brasileiras, o descaso persiste porque parcela expressiva dos homens ainda não consegue enxergar determinados comportamentos de controle e agressão como atos violentos.

Em relação à legislação, o estudo demonstra que a Lei Maria da Penha é um mecanismo amplamente reconhecido e aprovado no país. Sete em cada dez mulheres afirmam que a norma produz efeitos reais e mais de 80% se sentem mais conscientes de seus direitos após a sua criação. Contudo, a diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê, ponderou que a maioria da população considera que a lei, isoladamente, não basta para frear o problema. Entre os principais entraves para a formalização de denúncias, as participantes destacaram a sensação de impunidade e a lentidão do Poder Judiciário na condução e conclusão dos processos.

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