


Um estudo inédito divulgado nesta segunda-feira, dia 14 de setembro, alerta para os graves impactos das condições de trabalho na saúde mental dos jornalistas brasileiros. Produzido pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro), em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o relatório “Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil” reforça a necessidade urgente de intervenção por parte dos veículos de comunicação e das autoridades públicas para conter o avanço de transtornos psicológicos e formas de violência na profissão.

Os números apurados pela pesquisa evidenciam um cenário alarmante. Quase metade dos profissionais entrevistados (48%) relatou sofrer com insônia, índice significativamente superior à média nacional informada pelo Ministério da Saúde. Além disso, 50% dos participantes afirmaram enfrentar quadros depressivos — com 25% registrando níveis severos ou extremamente severos —, enquanto 36% reportaram episódios de ansiedade. O levantamento também identificou que 21,5% dos entrevistados apresentam padrões de consumo de álcool considerados de risco, nocivos ou com indícios de dependência.
Além das jornadas exaustivas e da pressão constante por resultados, a exposição a episódios de assédio agrava o diagnóstico. O levantamento aponta que entre 26% e 37% dos profissionais já sofreram assédio moral no ambiente corporativo, e 30% relataram ser vítimas de violência digital e cyberbullying. O isolamento no ambiente laboral é outro fator crítico: 61% dos entrevistados indicaram receber baixo apoio social de colegas e chefias, criando uma combinação de alta demanda emocional e reduzida autonomia que compromete o bem-estar da categoria.


Apresentado ao Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional pelas pesquisadoras Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, o estudo enfatiza que a deterioração da saúde física e mental dos jornalistas ultrapassa o âmbito individual. A presidente da Fenaj, Samira de Castro Cunha, ressaltou que a degradação das rotinas de trabalho afeta diretamente a qualidade da informação que chega ao público e coloca em risco o próprio exercício do jornalismo como pilar fundamental da democracia.







