segunda, 6 de julho de 2026

Pesquisa paulista desenvolve soluções sustentáveis para combater doenças em peixes de cultivo

O Instituto de Pesca do Estado de São Paulo está liderando um esforço científico para transformar a saúde dos peixes criados em cativeiro no Brasil. Por meio do Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sanidade em Piscicultura, um projeto que conta com o financiamento da Fapesp, os pesquisadores estão criando alternativas focadas na prevenção de doenças e na diminuição drástica do uso de antibióticos na criação de peixes.

A relevância da iniciativa acompanha o crescimento expressivo do setor no país. A tilápia é atualmente a grande estrela da atividade, correspondendo a mais de 68% de todos os peixes cultivados em território nacional. No estado de São Paulo, o ritmo de produção é acelerado, tendo superado a expressiva marca de 88 mil toneladas no ano passado. No entanto, essa expansão rápida traz consigo grandes desafios relacionados à saúde dos animais. Infecções provocadas por vírus e bactérias específicos são os maiores pesadelos dos produtores atuais, pois se espalham facilmente e causam alta mortalidade nos tanques, gerando prejuízos financeiros graves.

Até então, o combate a essas enfermidades dependia quase que exclusivamente da aplicação de antibióticos. O problema é que o uso constante e repetitivo desses medicamentos acabou gerando a chamada resistência bacteriana, situação em que os remédios perdem o efeito porque os micro-organismos se tornam mais fortes. Esse fenômeno preocupa cientistas do mundo inteiro, pois coloca em risco não apenas a vida dos animais, mas também a saúde humana e o equilíbrio ambiental. Diante disso, os especialistas defendem que o caminho correto para o futuro do setor não é medicar mais, mas sim evitar que os peixes fiquem doentes.

Para virar esse jogo, os cientistas paulistas uniram forças com diversas universidades e institutos de ponta para trabalhar em três frentes preventivas principais. A primeira delas é a criação de vacinas modernas que podem ser aplicadas por meio de injeções ou misturadas diretamente na ração dos peixes, ensinando o sistema imunológico dos animais a se defender dos invasores. A segunda linha de ação foca no melhoramento genético, selecionando e reproduzindo as matrizes de peixes que já possuem uma resistência natural maior a infecções. Por fim, o projeto trabalha no desenvolvimento de kits de diagnóstico rápido para que o produtor consiga identificar a presença de ameaças na água logo no início, agindo antes que uma epidemia se espalhe. Com essas inovações, a ciência brasileira cria uma ponte com o mercado para garantir alimentos mais seguros e uma atividade econômica muito mais sustentável.

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