


Um levantamento inédito realizado pelo Instituto Oyá em parceria com a consultoria Ipsos revela que as alterações no clima global já figuram no topo das preocupações de longo prazo da população brasileira. Intitulado “Termômetro do Brasil”, o estudo entrevistou duas mil pessoas e indicou que 41% dos entrevistados consideram as transformações climáticas a principal ameaça para o próprio futuro e o de suas famílias, superando apreensões históricas como a perda de emprego, o enfraquecimento das instituições democráticas, a escassez de alimentos e novos cenários pandêmicos.

Apesar da alta percepção de risco para os próximos anos, o diagnóstico mostra uma contradição no curto prazo, uma vez que o tema climático cai para a nona posição quando a pergunta se refere aos problemas urgentes do dia a dia. Esse descompasso coloca o Brasil na 20ª colocação no ranking global de preocupação imediata com o meio ambiente. Além do fator tempo, a pesquisa identificou que a vulnerabilidade à desinformação agrava o cenário, demonstrando por meio de testes práticos que quase 80% das pessoas não conseguem diferenciar notícias verdadeiras de informações falsas sobre eventos climáticos extremos, sobretudo quando o conteúdo apela para gatilhos emocionais.
A baixa capacidade de checagem da população gera apreensão adicional durante o período eleitoral, marcado pelo temor crescente em relação ao uso de inteligência artificial e manipulação digital para a difusão de fake news. Segundo os analistas responsáveis pelo levantamento, a combinação entre alta confiança em tecnologias e desconfiança em relação aos governos e partidos políticos tradicionais favorece a proliferação de narrativas enganosas. Nesse contexto de incertezas, o estudo reforça a relevância do jornalismo profissional e das organizações da sociedade civil como pilares essenciais para a difusão de dados apurados e a construção de políticas públicas de conscientização ambiental.









