quarta, 18 de fevereiro de 2026

Pescadores capturam pirarucu de 135 quilos no Rio Grande em Riolândia

Uma pescaria que começou como um momento de lazer na prainha de Riolândia, no interior de São Paulo, transformou-se em um desafio histórico para os primos Rodrigo Gatti e Maurício Costa. Utilizando equipamentos leves, projetados para peixes de médio porte como o tucunaré, a dupla conseguiu fisgar um gigante das águas: um pirarucu de aproximadamente 135 quilos e 2,5 metros de comprimento. O feito chamou a atenção não apenas pelo tamanho do animal, mas pela resistência do material utilizado, já que a linha de pesca suportava apenas 16 quilos, uma carga muito inferior ao peso real do peixe.

A captura exigiu paciência e técnica apurada. Durante mais de duas horas, os pescadores precisaram “ceder” ao ritmo do animal, deixando que ele se movimentasse livremente para evitar que a linha fina se rompesse. Rodrigo, que pesca desde a infância, relatou que o maior peixe que havia capturado anteriormente pesava 40 quilos, o que tornou a experiência atual um marco em sua vida. Para conseguir pesar e medir o exemplar com precisão, foi necessário o auxílio de um guincho elétrico em um barraco de pesca próximo, já que a força humana não seria suficiente para erguer o animal de tal magnitude.

Apesar da comemoração dos pescadores, o caso levanta alertas importantes entre especialistas em meio ambiente. O biólogo Thiago Davanso, doutor em zoologia, explica que a presença do pirarucu no interior paulista é motivo de preocupação ecológica. Por ser uma espécie nativa da Amazônia, o peixe é considerado invasor (exótico) na bacia do Rio Grande. Sem predadores naturais na região e com um comportamento carnívoro agressivo, ele se torna uma ameaça direta às espécies nativas, podendo levar à extinção local de peixes que já sofrem com outros impactos ambientais.

A introdução do pirarucu nos rios da região provavelmente ocorreu de forma acidental, por meio de fugas de tanques de criação, ou intencional por ação humana. Devido ao seu potencial como espécie invasora, a legislação brasileira permite a pesca do pirarucu mesmo durante o período da Piracema, época em que a captura de peixes nativos é proibida para garantir a reprodução. O exemplar capturado em Riolândia, que superou as médias de peso e tamanho comuns para a espécie na região, foi processado para o consumo dos próprios pescadores, conforme permite a norma ambiental para espécies introduzidas.

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