

O médico pediatra Anderson Dutra, que atuava como chefe da UTI Neonatal da Santa Casa de Araçatuba, denunciou o hospital ao Ministério Público (MP) e ao Conselho Regional de Medicina por suposto desrespeito ao plano de contingência para síndromes gripais em recém-nascidos. Segundo o profissional, a instituição de saúde vem deixando bebês e crianças em situação de risco para o contágio de doenças respiratórias ao misturar pacientes na mesma ala. Logo após formalizar a denúncia na Justiça, o médico foi barrado e impedido de acessar as dependências do hospital quando tentava assumir um plantão.

O pediatra explicou que o impasse começou em 2023, quando identificou o aumento de casos respiratórios e pediu ao Governo de São Paulo a abertura de vagas exclusivas para isolamento dessas crianças, uma vez que elas não podem ficar perto de recém-nascidos saudáveis. De acordo com Dutra, o estado aceitou o pedido e passou a enviar 450 mil reais mensais para custear leitos extras. O médico afirma que a Santa Casa tinha um espaço físico disponível para essa ala de isolamento de emergência, mas a diretoria administrativa preferiu ignorar o planejamento e manteve as crianças expostas.
Por outro lado, a diretoria da Santa Casa de Araçatuba negou as acusações de que os menores estejam desassistidos e informou que o afastamento do médico tem caráter exclusivamente preventivo. Segundo o hospital, foi aberta uma sindicância interna para investigar a conduta do pediatra na gestão das vagas. A instituição afirma que vinha enfrentando resistência por parte de Dutra para ampliar emergencialmente os leitos pediátricos e neonatais e que o espaço citado pelo médico, na verdade, serve para bebês que estão saindo da UTI e prestes a receber alta.


A Santa Casa esclareceu ainda que, após o afastamento do profissional, reuniu uma junta médica de urgência para reavaliar os pacientes internados. Com a revisão dos prontuários, seis crianças que tinham condições seguras de saúde foram transferidas para a enfermaria, liberando imediatamente seis leitos especializados na UTI Neonatal para atender os pacientes que aguardavam vaga no Pronto-Socorro. A administração hospitalar garantiu que o atendimento infantil segue normalizado, com reforço nas equipes de enfermagem e fisioterapia, enquanto o processo administrativo analisa se as antigas propostas de ampliação de vagas do médico eram tecnicamente compatíveis com a realidade dos dados epidemiológicos da região.







