domingo, 6 de setembro de 2026

Paternidade consciente: o exemplo dentro de casa no combate à misoginia e ao machismo

Entre brincadeiras de pique-bandeirinha e corridas no quintal, pequenos momentos da rotina infantil podem se transformar em grandes oportunidades de aprendizado. Foi o que aconteceu com o analista de sistemas Cleomar Barros, morador de Brasília, ao conversar seriamente com o filho de oito anos após o menino comentar sobre o corpo de uma amiga. Ao explicar a importância do respeito e do carinho — da mesma forma como orienta a convivência com a filha mais velha —, o pai reforçou que o afeto e a parceria diária são fundamentais para moldar o comportamento dos homens do futuro.

Especialistas em psicologia, psicanálise e educação afirmam que a chamada “educação pelo exemplo” é a principal ferramenta para combater o machismo e a misoginia desde a infância. Segundo o psicanalista Thiago Queiroz, criador do projeto “Paizinho, vírgula!”, o respeito às mulheres precisa ser naturalizado dentro de casa e em todos os ambientes frequentados pela família. Para os profissionais, a atitude diária dos pais funciona de forma preventiva contra a violência de gênero, superando discursos rasos e ensinando a igualdade na prática.

A atenção deve ser contínua, especialmente diante do avanço de conteúdos machistas e discursos de ódio disseminados em redes sociais e grupos de mensagens voltados a adolescentes. Para enfrentar esse cenário, educadores e psicólogos defendem uma parceria próxima entre famílias e escolas, unindo diálogo aberto, educação digital e o acolhimento das angústias dos jovens. Iniciativas como o canal “Papicast”, criado por pais em São Paulo, e redes de apoio sobre masculinidade saudável buscam orientar os homens a criarem espaços de escuta, incentivando a demonstração de sentimentos, o compartilhamento das tarefas domésticas e a desconstrução de estereótipos ultrapassados.

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