terça, 2 de junho de 2026

Partidos de esquerda acionam PGR e Polícia Federal para investigar família Bolsonaro e Banco Master

Parlamentares que lideram os partidos PT, PCdoB e PV no Congresso Nacional enviaram, nesta quinta-feira, uma representação criminal à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal contra o senador Flávio Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A ação também inclui o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros aliados do grupo político. O pedido de investigação surge após denúncias de que o senador teria negociado o repasse de R$ 134 milhões com o empresário para financiar a produção de um filme sobre a trajetória de seu pai, intitulado “Dark Horse”.

Os congressistas suspeitam que a estrutura montada para a realização do filme possa ter servido de fachada para uma série de crimes graves, como lavagem de dinheiro, corrupção, desvio de recursos públicos e até crimes contra a soberania nacional. No documento entregue às autoridades, os partidos argumentam que é necessário apurar se houve uma combinação entre dinheiro privado vindo do Banco Master e recursos públicos de emendas parlamentares para sustentar atividades políticas da família Bolsonaro, inclusive com movimentações financeiras no exterior que poderiam caracterizar caixa dois eleitoral.

A principal tese dos parlamentares é que empresas e ONGs ligadas à produção audiovisual foram utilizadas para esconder a origem real do dinheiro e dar uma aparência de legalidade a repasses destinados ao fortalecimento político do grupo. Eles pedem que a polícia rastreie tanto o fluxo das emendas enviadas por deputados aliados quanto os investimentos feitos por Daniel Vorcaro. Entre os nomes que assinam o pedido de investigação estão a senadora Tereza Leitão e os deputados Jandira Feghali, Pedro Uczai e Aliel Machado.

Em resposta às acusações, Flávio Bolsonaro utilizou suas redes sociais e concedeu entrevistas para negar qualquer irregularidade. O senador explicou que só não havia detalhado os contatos com o banqueiro anteriormente por causa de cláusulas de sigilo previstas no contrato. Ele insistiu que o financiamento é um investimento totalmente privado no setor audiovisual e que não há qualquer uso indevido de verba pública ou intenção criminosa por trás da obra que conta a história de Jair Bolsonaro.

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