segunda, 4 de maio de 2026

Partidos acionam Justiça Eleitoral para suspender perfis de personagem criada por inteligência artificial

Uma coalizão formada por PT, PV e PCdoB entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a suspensão imediata de perfis nas redes sociais que utilizam a personagem “Dona Maria”. A figura, que representa uma mulher idosa e negra, é gerada por ferramentas de inteligência artificial e tem sido amplamente utilizada para publicar críticas ao governo e a políticos de esquerda. A federação partidária argumenta que a ausência de avisos claros sobre a natureza artificial da personagem pode confundir os usuários, fazendo-os acreditar que as opiniões e relatos partem de uma pessoa real.

No documento enviado à Justiça, os partidos sustentam que as contas, ativas em plataformas como Instagram, TikTok, YouTube e X (antigo Twitter), funcionam como uma ferramenta de propaganda política deliberada. A acusação aponta que o administrador dos perfis utiliza o anonimato proporcionado pela tecnologia para divulgar informações distorcidas ou inverídicas, como a falsa alegação de que haveria uma nova tributação para catadores de latinhas. Para os autores da ação, a página promove ataques à honra de certas figuras públicas enquanto exalta personalidades de um espectro político oposto.

Além da suspensão das contas, a federação solicita que o TSE obrigue as plataformas a fornecerem dados que permitam identificar os responsáveis pela criação do conteúdo. Outro ponto de preocupação levantado é o potencial uso comercial das páginas, já que haveria indícios de tentativas de monetização e parcerias com empresas. Atualmente, a personagem possui um alcance significativo na internet, acumulando mais de 730 mil seguidores apenas no Instagram e dezenas de milhares de inscritos em seu canal de vídeos.

Em resposta à movimentação jurídica, o criador da página, Daniel Cristiano, utilizou as redes sociais para rebater as acusações. Ele classificou a iniciativa dos partidos como uma demonstração de desespero e criticou a tentativa de tirar o conteúdo do ar. O caso agora aguarda análise do TSE, que deverá decidir se o uso de avatares realistas criados por inteligência artificial sem a devida sinalização configura uma prática irregular de desinformação no cenário político.

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