


A representatividade dos povos originários na política brasileira alcançou um marco inédito. Um levantamento realizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) indica que um total de 191 pessoas que declararam descendência indígena registraram candidatura na Justiça Eleitoral. O número supera o patamar atingido no pleito geral de 2022 e representa o maior volume de concorrentes indígenas desde 2014, quando o tribunal passou a exigir a autodeclaração de cor e raça nos registros dos postulantes.

Embora o grupo corresponda a uma fração minoritária do total geral de pedidos de registro em todo o país, a tendência ao longo dos últimos anos reflete uma ampliação contínua da presença das comunidades tradicionais no cenário político nacional. As candidaturas estão distribuídas pela quase totalidade das unidades da federação e englobam disputas para cargos no Poder Legislativo e no Poder Executivo, com destaque para o crescimento na busca por cadeiras na Câmara dos Deputados e para o aumento da presença indígena nos estados que compõem a Amazônia Legal.
A diversidade das lideranças também se traduz na pluralidade de etnias e na forte participação feminina nas chapas. Ao todo, dezenas de povos originários diferentes contam com representantes na disputa. Além disso, a proporção de mulheres entre os concorrentes indígenas supera a média geral registrada entre o conjunto total de postulantes no país. Organizações e lideranças do movimento destacam que o avanço das candidaturas é fruto de uma articulação coletiva construída a partir dos territórios, com o objetivo de fortalecer a pauta de proteção ambiental e garantir espaço nas tomadas de decisão sobre o futuro do país.









