

Uma força-tarefa criada pelo Governo de São Paulo tem apresentado resultados significativos na recuperação da maior bacia hidrográfica do estado. O Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê (GFI-Tietê), instituído em março de 2025 dentro do programa estadual IntegraTietê, une o trabalho da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística com órgãos como a Cetesb, a Polícia Militar Ambiental e prefeituras locais. O objetivo principal do grupo é apertar o cerco contra empresas e pessoas que poluem o rio, garantindo que as águas voltem a ter qualidade em uma região que concentra cerca de 28 milhões de moradores e concentra a maior parte das indústrias e plantações paulistas.

Os números mostram que a fiscalização conjunta tem funcionado de forma rigorosa na bacia. A Cetesb realizou mais de 500 vistorias e coletou centenas de amostras de água para exames em laboratório, aplicando 117 punições que geraram multas de mais de 14 milhões de reais. Paralelamente, os policiais ambientais patrulharam mais de 7 mil quilômetros de barco e monitoraram 450 mil hectares de matas protetoras, aplicando outras centenas de multas contra crimes ambientais. Para a secretária Natália Resende, a recuperação do Tietê é uma missão permanente que depende desse esforço integrado, combinando ciência, tecnologia e união de forças públicas para identificar e punir irregularidades.
Para modernizar o trabalho, a Cetesb investiu mais de 43 milhões de reais na compra de equipamentos avançados e na contratação de quase 300 novos profissionais. A principal novidade tecnológica é um sistema inteligente que usa imagens de satélite e inteligência artificial para monitorar cerca de mil quilômetros de rios e represas em tempo real. Graças a essa vigilância constante, a quantidade de sujeira jogada diariamente no Rio Tietê caiu 21% entre 2024 e 2026. Além disso, dos rios menores que desaguam nele e que são acompanhados de perto, 14 já apresentaram uma melhora visível na pureza da água.


Outra frente essencial do projeto foca na limpeza física e na ampliação da rede de esgoto nas cidades. Desde 2023, o governo paulista investiu mais de 365 milhões de reais para retirar do fundo do Tietê e de seus afluentes quase 6 milhões de metros cúbicos de lama e areia acumuladas, ajudando a evitar enchentes. No Rio Pinheiros, o recolhimento de lixo flutuante também bateu recordes, retirando milhares de toneladas de garrafas plásticas e outros resíduos da superfície apenas nos primeiros meses deste ano. Na parte de saneamento básico, a Sabesp acelerou o ritmo de trabalho e conectou mais de 1,5 milhão de residências à rede de tratamento de esgoto, uma velocidade quatro vezes maior do que a registrada em projetos anteriores, impedindo que os dejetos de quase 4 milhões de pessoas fossem parar nos rios.
Por fim, o plano de revitalização aposta no reflorestamento e na conscientização das próximas gerações. O estado já garantiu a recuperação ambiental de mais de 41 mil hectares de matas nativas, incluindo a região onde ficam as nascentes do Rio Tietê, na cidade de Salesópolis, que recebeu o plantio de mais de 74 mil mudas de árvores. Junto com o plantio e o trabalho policial, equipes da Polícia Militar Ambiental realizam palestras e atividades práticas de educação ecológica em escolas estaduais. Essa iniciativa já ensinou mais de 9 mil estudantes e moradores de bairros ribeirinhos sobre a importância de proteger os recursos hídricos e evitar o descarte incorreto de lixo.








