sexta, 17 de julho de 2026

Parceria entre instituições de SP busca levar terapia celular inovadora contra doenças autoimunes ao SUS

O Instituto Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) assinaram nesta quarta-feira um acordo de cooperação científica. O objetivo da união é desenvolver terapias avançadas para o tratamento de doenças autoimunes graves, como o lúpus eritematoso sistêmico e a miastenia gravis generalizada, utilizando a promissora tecnologia de células CAR-T.

A terapia CAR-T consiste em modificar geneticamente as células de defesa do próprio paciente para que elas passem a combater diretamente as células afetadas pela enfermidade. Esse tipo de tratamento já vem revolucionando o combate ao câncer e, agora, os pesquisadores querem expandir o uso para condições crônicas. O plano das instituições é realizar testes clínicos em humanos assim que as etapas regulatórias forem validadas e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O lúpus é uma doença inflamatória crônica que ataca diversos órgãos e causa febre, perda de peso e fraqueza. Já a miastenia afeta a comunicação entre os músculos e os nervos, provocando fraqueza muscular extrema que pode dificultar a fala, a deglutição e até a respiração. Se os órgãos reguladores autorizarem os estudos, serão selecionados 26 pacientes voluntários adultos — 16 com lúpus e 10 com miastenia — que enfrentam quadros graves e que não responderam aos tratamentos tradicionais. Os pacientes serão acompanhados nos Hospitais das Clínicas da USP de São Paulo e de Ribeirão Preto.

Os diretores das entidades envolvidas ressaltaram que o grande objetivo do projeto é democratizar o acesso a essa tecnologia de ponta no futuro, disponibilizando-a gratuitamente para a população brasileira por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Caso os resultados finais dos testes sejam positivos, o Brasil se consolidará na liderança mundial da oferta de terapias celulares avançadas dentro de um sistema público de saúde.

As instituições parceiras já colhem bons frutos dessa tecnologia desde 2022, quando começaram a trabalhar juntas contra tipos específicos de leucemia e linfoma no Núcleo de Terapias Avançadas (Nutera). Os estudos contra o câncer de sangue iniciados em 2024 mostraram uma eficácia superior a 87% nos casos mais graves. Além do novo avanço para doenças autoimunes, o evento de assinatura do acordo também serviu para formalizar uma aliança com a biofarmacêutica chinesa IASO Bio, de olho na criação de novos tratamentos contra tumores hematológicos.

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