

O renomado climatologista brasileiro Carlos Afonso Nobre, de 75 anos, foi anunciado nesta segunda-feira (30) como um dos novos conselheiros do Papa Leão XIV. Referência mundial nos estudos sobre as mudanças climáticas e seus impactos na Amazônia, Nobre passará a integrar o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral. Este departamento da Cúria Romana é o braço da Igreja Católica responsável por temas fundamentais como a dignidade humana, a justiça social, a paz e, especialmente, o cuidado com a ecologia, área que o pontífice tem tratado como prioridade em seu governo.

A trajetória de Carlos Nobre é marcada por décadas de dedicação à ciência e à preservação ambiental. Com uma carreira consolidada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e na direção do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o pesquisador tornou-se uma das vozes mais respeitadas no debate sobre o aquecimento global. Recentemente, Nobre teve participação ativa na COP30, realizada em Belém, onde reforçou os alertas sobre a urgência de proteger os biomas brasileiros. Em suas análises, ele adverte que a degradação da natureza está diretamente ligada ao surgimento de novas crises sanitárias, citando surtos recentes de febre Mayaro e Oropouche na região amazônica como exemplos práticos desse desequilíbrio.
A nomeação de Nobre ocorre em um momento em que o cientista demonstra profunda preocupação com o futuro da biodiversidade brasileira. Segundo suas projeções, todos os ecossistemas do país enfrentam ameaças severas, com riscos reais de que biomas como o Pantanal possam desaparecer nas próximas décadas caso o ritmo de destruição não seja freado. Sua chegada ao Vaticano representa um fortalecimento do diálogo entre a ciência e a religião no enfrentamento da crise climática, unindo o rigor técnico do pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) à influência global da Igreja na promoção de um desenvolvimento mais sustentável e humano.
O brasileiro faz parte de um seleto grupo de 11 novos membros do conselho, que inclui lideranças religiosas e especialistas de diversos países, como Estados Unidos, México, Quênia e Suíça. A diversidade do grupo, composto por arcebispos, teólogos, psicólogos e diretores de institutos sociais, reflete a intenção do Vaticano de abordar os problemas globais de forma multidisciplinar. Com essa nomeação, o Brasil ganha um assento estratégico para levar a realidade dos biomas sul-americanos ao centro das decisões e orientações éticas da Santa Sé nos próximos anos.









