sábado, 27 de junho de 2026

Paciente internado há cinco meses em UTI realiza desejo de tomar sorvete e ver o sol em Araçatuba

Um lavrador de 53 anos, que está internado há cerca de cinco meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Araçatuba, no interior de São Paulo, teve a oportunidade de realizar desejos simples, mas com grande significado emocional. Diagnosticado com uma condição rara, o paciente pôde, pela primeira vez desde que deu entrada no hospital, sentir o calor do sol, contemplar o céu e saborear um sorvete.

A hospitalização prolongada decorre de uma forma grave da Síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica autoimune. Nessa condição, as defesas do próprio organismo atacam os nervos periféricos, interrompendo a comunicação entre o sistema nervoso e os músculos. O quadro clínico do lavrador evoluiu com perda progressiva dos movimentos, redução da sensibilidade e comprometimento severo da respiração, o que o obriga a depender de ventilação mecânica por aparelhos. Por ter uma recuperação lenta que exige fisioterapia intensiva e reabilitação contínua, o homem segue sob monitoramento constante na UTI.

A ideia de levá-lo para fora do leito surgiu durante conversas com a equipe multiprofissional do hospital. O infectologista Fábio Bombarda e a neurologista Danyelle Amélia Grecco, responsáveis pelo caso, explicaram que o paciente, apesar das limitações físicas, consegue se comunicar e expressou a vontade de ver as árvores, assistir à televisão e tomar um sorvete. Segundo os médicos, em internações de longa permanência, atender a esses pedidos devolve a dignidade, traz esperança e serve como um forte combustível psicológico para que o enfermo continue lutando pela vida.

Para tornar o momento possível, médicos, enfermeiros e fisioterapeutas estruturaram um plano minucioso de transporte, uma vez que o estado de saúde do lavrador exige suporte respiratório e aparelhos de monitoramento o tempo todo. A equipe levou o paciente em sua própria maca até uma área gramada da Santa Casa, onde ele pôde relaxar sob a sombra de uma árvore, respirar ar puro e comer o doce desejado. A reação de alívio e a emoção demonstradas pelo homem comoveram os profissionais de saúde, que reforçaram a importância de aliar a segurança dos procedimentos médicos a ações de humanização no ambiente hospitalar.

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