sexta, 10 de abril de 2026

Paciente do SUS em Rio Preto recebe fígado mantido ‘vivo’ fora do corpo por mais de 4 horas em máquina

O Hospital de Base de São José do Rio Preto alcançou um marco importante na medicina regional ao realizar um transplante de fígado utilizando uma máquina de preservação que mantém o órgão em funcionamento mesmo fora do corpo humano. O procedimento, realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), beneficiou Rodolfo Aparecido Chicone, de 39 anos, que já apresenta uma recuperação positiva e consegue caminhar pelos corredores da instituição. A tecnologia permitiu que o fígado doado permanecesse operante por mais de quatro horas antes da cirurgia, simulando as condições naturais do organismo.

Diferente do método tradicional, no qual o órgão é conservado no gelo e sofre danos progressivos pela falta de circulação sanguínea, a nova técnica de perfusão hepática controla a temperatura, o fluxo de líquidos e a oxigenação. Enquanto o resfriamento convencional limita o tempo de espera a no máximo 14 horas, o uso deste equipamento pode estender esse prazo para até 24 horas. Essa janela maior de tempo é crucial para as equipes médicas, pois facilita o transporte entre cidades distantes e permite uma avaliação muito mais detalhada sobre a viabilidade do órgão antes de ele ser implantado no receptor.

Com a implementação desta tecnologia, o Hospital de Base criou o Centro de Manutenção de Órgãos, com o objetivo de reduzir as filas de espera e evitar o desperdício de doações. Atualmente, mais de 70 mil pessoas aguardam por transplantes no Brasil, sendo que cerca de 1,5 mil dependem de um novo fígado. Segundo a diretoria da instituição, o uso da máquina diminui o estresse celular do órgão, o que reduz consideravelmente o risco de complicações pós-operatórias e aumenta as chances de sucesso do procedimento a longo prazo.

Embora o custo de cada operação com o equipamento seja de aproximadamente R$ 50 mil, o valor está sendo integralmente custeado pelo próprio hospital neste estágio inicial. A intenção é realizar 15 procedimentos experimentais para reunir dados científicos e econômicos que comprovem a eficácia do método. Essas informações serão fundamentais para embasar um pedido de incorporação definitiva da tecnologia ao catálogo de serviços oferecidos pelo SUS em todo o país. O hospital, que já realizou quase 6 mil transplantes desde a década de 90, planeja expandir o uso dessa técnica para outros órgãos, como os rins, em um futuro próximo.

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