sexta, 3 de julho de 2026

Organizações sem fins lucrativos registram menor diferença salarial entre homens e mulheres, aponta IBGE

As entidades sem fins lucrativos são o setor do mercado brasileiro onde a diferença salarial entre homens e mulheres é menos acentuada. A conclusão faz parte de um estudo divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados do Cadastro Central de Empresas referentes ao ano de 2024. De forma geral, considerando todas as empresas e instituições do país, os homens ganhavam, em média, R$ 4,2 mil por mês, enquanto as mulheres recebiam R$ 3,9 mil — uma diferença que deixa o salário masculino 16,6% acima do feminino.

No entanto, quando os pesquisadores dividiram os dados pelo tipo de instituição, ficou claro que as organizações não governamentais, fundações privadas, sindicatos e entidades religiosas conseguem equilibrar melhor essa balança. Nessas instituições, a remuneração média das mulheres atingiu R$ 3.589,82, o que corresponde a 95,3% dos R$ 3.768,81 pagos aos homens. O cenário é bem diferente no setor privado tradicional: nas empresas, as mulheres enfrentam a maior desvantagem, recebendo em média R$ 2.996,79, o equivalente a apenas 78,1% do ganho dos trabalhadores masculinos, que era de R$ 3.838,67.

Na administração pública, que engloba prefeituras, governos estaduais, governo federal e os poderes Judiciário e Legislativo, a disparidade também é expressiva. Mesmo com salários médios mais altos, as servidoras ganhavam cerca de R$ 4.967,51, o que representa 82% do salário médio dos servidores homens, que chegava a R$ 6.058,19. Segundo a gerente de análise do IBGE, Caroline Santos, a maior igualdade nas entidades sem fins lucrativos pode estar associada ao fato de atuarem fortemente em assistência social e saúde, áreas que historicamente concentram muitas profissionais mulheres e que possuem uma preocupação interna maior com a equidade de gênero.

A especialista pontuou ainda que, embora o Brasil conte com a Lei de Igualdade Salarial desde 2023 para garantir pagamentos iguais na mesma função, a desigualdade na média geral persiste por outros motivos sociais. Fatores como a menor presença de mulheres em cargos de alta liderança e as pausas na carreira devido à maternidade ainda pesam contra as profissionais. No total, o levantamento mapeou 10,6 milhões de organizações ativas em 2024, um crescimento de 12,5% em comparação a 2022, que juntas empregavam 68 milhões de pessoas em todo o território nacional.

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