

Uma força-tarefa internacional batizada de Operação Timber Shield descobriu um esquema altamente sofisticado de tráfico de drogas que utilizava cargas de madeira para esconder entorpecentes. A ação, realizada por meio de uma parceria entre a Receita Federal, o Exército Brasileiro, autoridades dos Estados Unidos e a Aduana Nacional da Bolívia, resultou na retenção de oito caminhões carregados na faixa de fronteira. A suspeita é de que o caso represente a maior apreensão de cocaína já registrada em território brasileiro.

O monitoramento começou após a troca de informações estratégicas de inteligência, que apontavam que criminosos estavam injetando cocaína líquida nas estruturas das madeiras para burlar a fiscalização e alterar a aparência da droga. No total, foram retidos quatro caminhões em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e outros quatro em Cáceres, no Mato Grosso, somando cerca de 260 toneladas de madeira sob investigação. Testes preliminares feitos pelas polícias técnico-científicas estaduais já deram resultado positivo para a droga. Se as análises finais confirmarem o padrão de apreensões anteriores, estima-se que entre 10% e 20% do peso total da carga seja composto pelo entorpecente, o que pode significar um volume histórico de 20 a 50 toneladas de cocaína apreendidas.
De acordo com dados compartilhados pelo governo americano, o carregamento tem origem na Bolívia e possui ligação direta com uma grande apreensão realizada recentemente no Chile, onde as autoridades daquele país conseguiram barrar 100 toneladas de cocaína escondidas sob o mesmo método. Toda a carga interceptada no Brasil permanece retida em território nacional, sem qualquer possibilidade de retornar ao país vizinho. Os fiscais bolivianos, no entanto, receberam autorização para acompanhar os trabalhos de verificação por conta dos acordos de cooperação integrada na fronteira.


A Polícia Federal e o Grupo de Fronteira (Gefron) de Mato Grosso também foram acionados para dar apoio operacional e garantir a segurança das áreas onde os veículos estão guardados. Os peritos federais agora trabalham na extração e na pesagem exata do entorpecente, além de assumirem a custódia do material para dar início à investigação criminal. Para a Receita Federal, o sucesso da operação demonstra a audácia das organizações criminosas, mas reforça principalmente que a união de forças entre diferentes países é o caminho mais eficiente para sufocar o tráfico internacional em larga escala.









