

O Ministério Público de São Paulo deu um passo decisivo no combate à corrupção policial e ao crime organizado nesta terça-feira, com a deflagração da Operação Infiltrados. Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, a ação investiga o vazamento de informações sigilosas para membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital. A operação revelou a capilaridade da rede criminosa pelo interior paulista, colocando o pequeno município de Cardoso, na região de São José do Rio Preto, no centro das atenções das autoridades e no mapa do cumprimento dos mandados judiciais.

A pacata cidade de Cardoso tornou-se peça-chave para os investigadores, que miraram endereços estratégicos no município para cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão temporária. A inclusão de Cardoso na operação demonstra como os tentáculos da organização criminosa se estendiam muito além da região de Campinas, alcançando o extremo noroeste do estado. Agentes das Corregedorias das Polícias Civil e Penal se deslocaram até a cidade para recolher aparelhos celulares, computadores e documentos que possam detalhar como funcionava o intercâmbio de dados sigilosos e a lavagem de dinheiro da facção no interior paulista.
O principal foco da apuração nacional é o ex-chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Campinas, Maurício Aparecido de Oliveira, que foi preso temporariamente. Vídeos e mensagens obtidos pelo Gaeco mostram que ele manteve uma reunião clandestina com um empresário ligado ao PCC, apontado como o principal articulador de um plano para assassinar um promotor de Justiça da comarca. Esse encontro suspeito aconteceu apenas uma semana antes de as forças de segurança descobrirem e frustrarem o atentado.


Além do ex-chefe de investigações, a operação resultou na prisão de um ex-estagiário do próprio Ministério Público e de um ex-policial civil que atuava como o intermediário dos contatos ilícitos. O promotor Marcos Rioli explicou que o material apreendido nas frentes de busca, inclusive o que foi recolhido em Cardoso, ajudará a esclarecer se os encontros serviam para esquemas de extorsão ou se faziam parte da logística para o atentado contra o membro do Ministério Público. Em nota oficial, o órgão reforçou que as polícias do estado estão trabalhando unidas para fazer uma limpa em seus próprios quadros, garantindo a transparência e a segurança de toda a sociedade.







