terça, 28 de julho de 2026

Operação da Polícia Civil desarticula quadrilha que roubava remédios contra o câncer

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (21), a Operação Metástase para combater uma organização criminosa envolvida no roubo e na revenda ilegal de medicamentos de alto custo, como os utilizados no tratamento de câncer e imunossupressores. O esquema movimentou mais de R$ 33 milhões entre 2025 e 2026 e contava com uma estrutura complexa, atuando em diferentes etapas que iam do assalto às cargas até a inserção dos produtos roubados no mercado formal de saúde.

Durante a ação, policiais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro — incluindo o Complexo da Maré e municípios da Baixada Fluminense —, além de endereços nos estados de São Paulo, Goiás e Pará. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias do grupo e o sequestro de bens como imóveis e carros de luxo.

De acordo com as investigações, a quadrilha contava com o apoio bélico de uma facção criminosa para proteger a carga no Complexo da Maré após os roubos, que contavam com informações privilegiadas vazadas por funcionários de transportadoras. Em seguida, o material era redistribuído com o auxílio de cerca de 25 empresas de fachada. Os medicamentos eram revendidos para hospitais particulares e até para a rede pública, por meio de fraudes em processos licitatórios nos quais o grupo oferecia preços abaixo do mercado.

Além do prejuízo financeiro e dos assaltos, autoridades alertam que a prática trazia sérios riscos à população. Como os remédios para pacientes oncológicos e transplantados exigem controle rigoroso de temperatura e armazenamento, o manuseio inadequado pelos criminosos poderia anular a eficácia dos tratamentos, gerar contaminações perigosas e provocar o desabastecimento de insumos essenciais nos hospitais.

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