

A força-tarefa responsável pela Operação Fluxo Oculto apreendeu maços de dinheiro em espécie e passaportes na manhã desta quinta-feira. A ofensiva é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema estruturado de infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis. Durante as vistorias, os agentes encontraram cédulas de diferentes nacionalidades, incluindo reais, dólares, euros e até rand sul-africano, que é a moeda oficial da África do Sul. Até o momento, o montante total apreendido não foi contabilizado e divulgado oficialmente pelas autoridades.

A operação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal. Ao todo, as equipes estão cumprindo 60 mandados de busca e apreensão que se estendem por cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A investigação aponta que, mesmo após a primeira fase da ação policial realizada em agosto de 2025, a organização criminosa continuou operando ativamente para lavar capitais, adulterar combustíveis e sonegar impostos por meio de empresas de fachada e contas digitais.
De acordo com o Ministério Público, a atuação do grupo criminoso está dividida em três grandes frentes estruturais. A primeira delas cuida da engenharia financeira, utilizando fintechs para criar “contas-bolsão” e “contas gráficas”. Esse mecanismo mistura o faturamento de dezenas de postos de combustíveis em uma única conta bancária em nome da instituição de pagamento, ocultando os verdadeiros donos do dinheiro e gerando um ponto cego para o Banco Central e para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Estima-se que essa rede financeira atípica tenha movimentado cerca de R$ 3,86 bilhões.
A segunda linha de investigação expõe a “máfia do nafta”, uma fraude física e tributária que causou um prejuízo estimado em mais de R$ 200 milhões aos cofres públicos. O esquema consistia em importar solventes petroquímicos (nafta) com baixa tributação e emitir milhares de notas fiscais falsas para empresas de produtos químicos que existiam apenas no papel. Na prática, o produto químico nunca chegava a essas indústrias falsas; os caminhões desviavam a rota e descarregavam o solvente diretamente em distribuidoras para ser misturado ilegalmente à gasolina automotiva que era vendida nos postos. Mais de 135 milhões de litros de nafta foram desviados dessa forma ao longo de dois anos.
Por fim, a terceira frente revelou que o mercado financeiro formal era usado para limpar os lucros obtidos com o combustível adulterado. Empresas-fantasma emitiam boletos falsos que eram pagos por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDCs), funcionando como a última camada de lavagem do dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de patrimônio líquido desses fundos, que somam mais de R$ 200 milhões. Os líderes apontados pelo esquema, Mohamad Hussein Mourad (o “Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (o “Beto Louco”), estão foragidos e tiveram propostas de delação premiada rejeitadas pelos promotores por omitirem informações cruciais sobre a lavagem de dinheiro e a corrupção policial. A defesa dos empresários informou que não vai se manifestar por ainda não ter tomado conhecimento integral das investigações.







