


Uma grande ofensiva liderada pela Polícia Federal, Receita Federal e o Ministério Público Federal foi deflagrada na manhã desta quinta-feira para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes tributárias. As operações, batizadas de “Títulos Podres” e “Consulesa”, combatem um esquema milionário que utilizava créditos fiscais falsos e documentos sem valor — conhecidos como títulos podres — para quitar dívidas de impostos de maneira ilegal. A força-tarefa mobiliza mais de 250 profissionais, entre policiais e auditores, que percorrem 17 cidades brasileiras.

Ao todo, a Justiça Federal determinou o cumprimento de 79 mandados judiciais nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão. O grupo é suspeito de movimentar cerca de R$ 770 milhões por meio de uma rede que envolvia consultorias tributárias e escritórios de advocacia. Para tentar recuperar parte do prejuízo aos cofres públicos, as autoridades conseguiram o bloqueio de R$ 32 milhões em bens e valores dos envolvidos.
Segundo as investigações, o esquema era oferecido como uma solução mágica para empresas e até prefeituras que buscavam reduzir ou eliminar dívidas com o governo. Os criminosos utilizavam mecanismos sofisticados para esconder o dinheiro, como o uso de contas em nome de laranjas e procurações eletrônicas. Entre os principais alvos da operação estão pelo menos dez advogados, que são apontados como os operadores do sistema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.










A operação foi dividida em duas frentes complementares. Enquanto a “Consulesa” foca em desvios que somam R$ 670 milhões com prisões preventivas, a “Títulos Podres” busca identificar a extensão total das fraudes e recuperar ativos em diversas cidades. O objetivo central das autoridades agora é reunir provas que possam ligar o grupo a servidores públicos, apurando se houve facilitação interna para que as irregularidades fiscais não fossem detectadas pelo sistema de fiscalização.
























