sábado, 13 de junho de 2026

Operação contra facção localiza central de criptomoedas mantida por criminosos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta sexta-feira, mais uma etapa da Operação Contenção, cujo objetivo foi desarticular bases financeiras e operacionais da facção criminosa Comando Vermelho. A ofensiva aconteceu no Complexo do Lins, situado na Zona Norte da capital fluminense, e resultou na prisão de dez pessoas. Durante as incursões na comunidade, os agentes se depararam com uma estrutura surpreendente: uma fazenda clandestina de mineração de criptomoedas composta por pelo menos 30 computadores de alto desempenho interligados. Todo o maquinário funcionava ininterruptamente graças a um “gato” de energia elétrica conectado diretamente a um poste da rede pública.

A sala que abrigava os equipamentos contava com um sistema planejado de ventoinhas e exaustores, instalado especificamente para evitar que os computadores queimassem devido ao superaquecimento. No momento da abordagem, nenhum suspeito foi encontrado no cômodo, uma vez que esse tipo de tecnologia permite o monitoramento e o controle das atividades de forma totalmente remota. A linha de investigação da polícia trabalha agora para confirmar se a estrutura de moedas digitais era utilizada pela liderança do tráfico de drogas como um mecanismo moderno para lavar o dinheiro oriundo de atividades ilegais.

A mobilização policial buscou dar cumprimento a seis ordens de prisão e outros 30 mandados de busca e apreensão direcionados ao núcleo da organização que comanda a região. Para garantir a segurança dos policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, a Draco, e da 26ª Delegacia de Polícia, de Todos os Santos, a ação contou com o suporte estratégico de veículos blindados e helicópteros. Moradores do Complexo do Lins relataram momentos de intensa troca de tiros logo no início das primeiras horas do dia, reflexo da resistência armada imposta pelos criminosos locais.

De acordo com as investigações em andamento, o grupo criminoso controla o território de forma violenta e expandiu sua atuação para além do comércio de entorpecentes, praticando roubos de veículos, assaltos a agências bancárias e roubos a pedestres nas redondezas. Os agentes descobriram também que os criminosos mantinham um esquema de vigilância para monitorar o deslocamento de viaturas e aeronaves das forças de segurança em tempo real. Além disso, em uma parceria inédita com a Polícia Civil do Piauí, a operação mirou uma ala da quadrilha especializada no golpe da falsa central telefônica. Os estelionatários se passavam por atendentes de segurança de bancos, criavam uma situação de falsos problemas nas contas bancárias das vítimas e as induziam a transferir dinheiro para contas controladas pelo bando.

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